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Israel afirma que seus ataques nos arredores de Beirute têm aval dos Estados Unidos
O ministro da Defesa de Israel afirmou nesta terça-feira (2) que recebeu aval dos Estados Unidos para atacar os arredores do sul de Beirute, apesar do anúncio do presidente americano, Donald Trump, de um compromisso para moderar as hostilidades.
Israel realizou ataques noturnos no sul do Líbano que deixaram cerca de seis mortos.
Um ataque na região libanesa de Tiro deixou ao menos quatro mortos e 127 feridos, entre eles 39 integrantes da equipe de um hospital, informou nesta terça-feira o Ministério da Saúde libanês.
Na noite de segunda-feira, Trump havia afirmado em sua rede Truth Social que esperava que Israel e Hezbollah moderassem suas hostilidades e garantiu que as duas partes se comprometeram com um cessar-fogo efetivo.
O Hezbollah "concordou em deixar de disparar contra Israel e seus soldados. Da mesma forma, Israel concordou em deixar de disparar contra eles. Vejamos quanto isso dura; tomara que seja pela ETERNIDADE!", escreveu o magnata.
No entanto, nesta terça-feira, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que os Estados Unidos haviam "validado o princípio" segundo o qual seu país poderia atacar o subúrbio sul se o Hezbollah continuasse seus ataques contra o território israelense.
Por sua vez, o grupo pró-Irã Hezbollah reivindicou um ataque com foguetes contra um tanque israelense em Hadatha, e afirmou que combatia naquela região "o avanço das forças israelenses".
Os confrontos entre o Exército israelense e o grupo islamista apoiado pelo Irã começaram em 2 de março, quando o Hezbollah atacou o território israelense em represália aos bombardeios de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, que em 28 de fevereiro desencadearam uma guerra regional no Oriente Médio.
As agressões não cessaram apesar da entrada em vigor de uma suposta trégua em 17 de abril.
O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, que atua como intermediário entre o Hezbollah e Washington, ficará encarregado de garantir que o grupo cumpra um "cessar-fogo geral" com Israel, afirmou nesta terça-feira seu assessor à AFP.
No sul de Beirute, muitas lojas continuavam fechadas nesta terça-feira, enquanto um drone sobrevoava a região a baixa altitude, segundo um jornalista da AFP.
Mas Leila Shahab, uma moradora de 35 anos, decidiu voltar. "A situação se acalmou um pouco", afirmou à AFP.
- Ligação "muito produtiva" -
Trump revelou que esse acordo entre as duas partes em conflito foi resultado de uma ligação "muito produtiva" com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
O Irã exigiu, durante as conversas indiretas com os Estados Unidos, que qualquer acordo para encerrar as hostilidades na região inclua um cessar-fogo efetivo na frente libanesa.
Nesta terça-feira, um alto responsável militar iraniano considerou que a retomada da guerra contra Washington é "inevitável", segundo declarações transmitidas pela televisão estatal Irib.
Por sua vez, o Exército israelense anunciou a interceptação de dois projéteis, sem informar feridos.
No Líbano, os ataques israelenses tiveram várias aldeias no sul como alvo durante a noite, segundo a agência oficial libanesa NNA.
Além disso, a agência informou que um drone matou um dentista e seus dois filhos que circulavam de carro por uma estrada no sul.
- Diálogo entre israelenses e libaneses -
Desde que o Líbano foi arrastado para o conflito regional, em 2 de março, mais de 3.400 pessoas morreram e mais de um milhão foram deslocadas, segundo Beirute. O balanço é de 27 mortos do lado israelense: 26 soldados e um contratado civil.
Os embaixadores de Israel e do Líbano foram recebidos nesta terça-feira no Departamento de Estado, em Washington, para uma nova sessão de conversas diretas.
A agência de notícias iraniana Tasnim indicou na segunda-feira que Teerã havia rompido o diálogo com Washington, em particular devido à ofensiva israelense no Líbano, sem que esta informação tenha sido confirmada oficialmente.
B.Torres--AT