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A luta de um brasileiro nas redes sociais contra os batedores de carteira de Londres
"Cuidado, batedores de carteira!”, aconselha Diego Galdino a alguns turistas em Londres. Este brasileiro de 32 anos ganhou popularidade nas redes sociais com seus vídeos em que aparece perseguindo ladrões, em uma cidade onde os furtos de telefones dispararam.
Este entregador de comida começou filmando os ladrões enquanto cometiam seus furtos, antes de começar a abordá-los diretamente. Publicados no Instagram e TikTok sob o nome "pickpocketlondon", que em uma tradução literal significaria "batedor de carteira-Londres", esses vídeos viralizaram rapidamente.
Um deles, no qual um ladrão é visto cuspindo no próprio Galdino, acumula mais de 12 milhões de visualizações.
Esses furtos, principalmente de carteiras e telefones, não são exclusivos da capital londrina. Mas os roubos de smartphones dispararam nos últimos meses e, segundo a polícia da capital, um telefone é roubado a cada seis minutos.
Em um ano, a polícia contabilizou cerca de 32.000 furtos no bairro de Westminster, onde se encontram museus, o Big Ben e o Palácio de Buckingham.
Diante dessa praga, a cidade pintou uma linha roxa ao longo das calçadas de várias ruas muito movimentadas com o aviso: "Cuidado com o roubo de telefones!".
- Adrenalina -
Diego Galdino tornou-se vítima de seu próprio sucesso.
"Minha vida mudou muito", confidencia à AFP, afirmando que agora é reconhecido na rua.
Com a experiência, este brasileiro, criado em uma família de policiais, percebeu que os batedores de carteira são muito organizados. Muitas vezes são casais e se vestem como turistas para se misturar melhor com a multidão, explica.
Cerca de vinte outros entregadores o ajudam, enviando informações ou avisos via WhatsApp.
Com uma câmera fixada em seu corpo, Galdino grita "Cuidado, batedores de carteira!", assim que identifica um ladrão prestes a agir.
Essas intervenções às vezes o transformam em objeto de agressões. Mas ele garante que a adrenalina supera o medo e afirma que o que o impulsiona a agir é a "injustiça" dessas situações.
Londrinos e turistas parecem apreciar seu trabalho.
"Continue fazendo o que você faz!", encoraja Tom, de 37 anos, um transeunte que o reconhece na rua, enquanto a AFP o acompanha em uma de suas rondas.
Mas essa atividade não agrada a todos.
- "Gerar seguidores" -
"Tenho certeza de que esse jovem tem boas intenções, mas esse não é um método eficaz para combater a criminalidade", afirma a criminologista Jennifer Fleetwood, que observa que se trata de uma prática destinada apenas a "gerar seguidores" nas redes sociais.
"Ele não vai continuar fazendo isso por dez anos, não é?", afirma com ceticismo.
O prefeito trabalhista de Londres, Sadiq Khan, anunciou que a presença policial foi reforçada no centro da cidade para conter essa prática criminosa.
A polícia, contatada pela AFP, indicou que continuará concentrando suas rondas "nas zonas sensíveis, apoiando-se nos avanços já obtidos".
Embora tenha optado por não comentar o trabalho de Galdino, a polícia destacou uma redução de 15,6% nos furtos durante as seis semanas seguintes ao início da campanha do brasileiro em 6 de abril.
Para Jennifer Fleetwood, os vídeos de Galdino distorcem a realidade.
Ela lembra, com estatísticas em mãos, que esses roubos não são mais frequentes em Londres do que em outras cidades ou regiões da Inglaterra.
"Vi inúmeros conteúdos nas redes sociais que apresentam Londres como uma cidade hostil ou perigosa! Mas há mais chances de ser vítima de um crime em Londres? Na realidade, não!", conclui.
Seja como for, Galdino está determinado a seguir com a sua missão.
"Estou muito feliz com o que estou fazendo agora", garante.
D.Johnson--AT