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Julgamento por morte de 41 meninas em incêndio chega à fase final na Guatemala
Um tribunal da Guatemala iniciou, nesta terça-feira (12), a última audiência contra sete ex-funcionários pela morte de 41 meninas no incêndio em um abrigo estatal em 2017, uma tragédia que chocou o país.
As meninas e adolescentes morreram no Lar Seguro Virgem da Assunção em 8 de março de 2017, no Dia Internacional da Mulher, durante um protesto em que denunciavam maus-tratos e exploração sexual na instituição, de acordo com a investigação.
As menores incendiaram colchões na sala onde estavam trancadas depois de tentarem fugir, mas o fogo se espalhou e elas não conseguiram sair porque a porta estava trancada.
A juíza Ingrid Cifuentes abriu a audiência, durante a qual deve ouvir as alegações finais dos julgados por homicídio culposo e descumprimento de deveres, entre outros crimes, e poderá proferir a sentença nesta terça-feira ou marcar outra data para anunciar o veredicto.
Os sete ex-funcionários estão em prisão domiciliar.
"Esperamos que esta sentença seja condenatória (...) E que se possa determinar a responsabilidade do Estado", disse à AFP a coordenadora da ONG Mulheres Transformando O Mundo, Paula Barrios, demandante no julgamento iniciado em janeiro de 2024.
Barrios confia que a sentença seja uma "garantia de não repetição" do ocorrido e que as 15 sobreviventes e os familiares das 41 vítimas recebam "medidas de reparação" adequadas.
Em maio, o Ministério Público solicitou penas de 131 anos de prisão contra o ex-titular da Secretaria de Bem-Estar Social, Carlos Rodas, e contra o ex-diretor do abrigo, Santos Torres.
O MP pediu 126 anos de prisão para o ex-funcionário da Procuradoria-Geral da Nação, Harold Flores, e para a ex-chefe da unidade de proteção do abrigo, Brenda Chamán. Para os ex-policiais Lucinda Marroquín e Luis Pérez, solicitou 122 e 117 anos, respectivamente.
Para a ex-funcionária do escritório estatal de direitos humanos Gloria Castro, os promotores pediram quatro anos de prisão.
"O que havia no coração dessas pessoas para não ouvirem o grito de socorro, para não abrirem a porta quando estávamos pedindo ajuda?", declarou a sobrevivente Emelin Del Cid ao tribunal no final de julho.
F.Ramirez--AT