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PF pede indiciamento de Bolsonaro por suposta espionagem ilegal
A Polícia Federal pediu, nesta terça-feira (17), o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por um suposto esquema ilegal de espionagem contra autoridades e figuras públicas durante seu governo, confirmou um de seus filhos.
Essa suspeita policial ocorre após um julgamento em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente, acusado de liderar uma trama golpista em 2022, e sua inelegibilidade até 2030 por ter questionado o sistema de votação sem provas.
A PF acredita haver provas suficientes para indiciar Bolsonaro no caso conhecido como "Abin Paralela", que investiga se a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi usada para espionar alvos definidos pelo governo Bolsonaro (2019-2022).
"A Polícia Federal concluiu o inquérito que apura a existência de uma organização criminosa voltada ao monitoramento ilegal de autoridades públicas e à produção de notícias falsas", afirmou o órgão em nota.
"O relatório final foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e o procedimento segue em tramitação sob sigilo", acrescentou.
"Jair Bolsonaro nunca foi sequer foi ouvido nesse inquérito (...) e, mesmo assim, foi indiciado", reclamou um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), em sua conta na rede X.
Ele também confirmou que seu irmão, o vereador Carlos Bolsonaro (PL), está entre os alvos da polícia.
Segundo a imprensa, entre os espionados por meio de seus computadores e celulares estavam jornalistas e autoridades dos três poderes, como o ministro do STF Alexandre de Moraes, a quem Bolsonaro já chamou de "ditador".
O pedido de indiciamento inclui 35 pessoas, entre elas o deputado federal e ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem (PL/RJ), e o atual diretor, Luiz Fernando Corrêa, que assumiu o cargo no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e é suspeito de obstruir as investigações, segundo a imprensa.
Bolsonaro, de 70 anos, atualmente é réu em um julgamento por uma suposta tentativa de golpe de Estado em 2022, acusado de ter liderado, sem sucesso, um plano para impedir a posse de Lula, que o derrotou nas eleições daquele ano.
Segundo a acusação, a suposta trama golpista foi frustrada devido à falta de apoio militar.
Junto com sete ex-colaboradores, ele pode pegar até 40 anos de prisão. Bolsonaro nega as acusações e afirma estar sendo "perseguido".
O ex-presidente está inelegível até 2030 por ter questionado a confiabilidade do sistema de votação eletrônica sem provas, mas insiste que quer ser candidato em 2026.
E.Hall--AT