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Cardeais rezam juntos antes do início do conclave
Os cardeais que vão eleger o sucessor do papa Francisco se reuniram para caminhar em procissão até a Capela Sistina e iniciar o conclave, nesta quarta-feira (7).
Aberto, incerto e sem favoritos claros, os 133 "príncipes da Igreja" fizeram uma oração na Capela Paulina do Palácio Apostólico antes de seguir caminho de cerca de 500 metros até a majestosa sala decorada com afrescos de Michelangelo, onde será realizado um dos acontecimentos mais secretos e misteriosos do mundo.
Enquanto isso, os fiéis manterão os olhos fixos na pequena chaminé que emitirá uma fumaça anunciando o resultado das votações. Na praça de São Pedro, turistas e católicos tiram fotos do pequeno tubo de cobre, quase imperceptível.
A primeira votação está prevista para esta tarde, após a qual não se espera a fumaça branca que antecede o anúncio "Habemus papam".
A previsão é que o processo precise de mais negociações e várias rodadas de votação.
O decano do colégio cardinalício, Giovanni Battista Re, celebrou uma missa prévia à eleição, pedindo a "manutenção da unidade da Igreja" diante de um "momento tão difícil e complexo da história", que será enfrentado pelo futuro líder espiritual de 1,4 bilhão de católicos.
- Oitenta e nove votos -
A Capela Sistina está preparada para receber os 133 cardeais que participarão da eleição: várias fileiras de mesas adornadas com tecidos de cor marrom e vermelho, sobre as quais aparecem os nomes de cada eleitor, foram posicionadas no local.
Sob os magníficos afrescos do Juízo Final que Michelangelo pintou no século XV, os chamados "príncipes da Igreja" votarão apenas "na presença de Deus", em um silêncio solene.
Se nesta quarta-feira ninguém tiver a maioria de dois terços requerida - pelo menos 89 votos - para proclamar o 267º pontífice, os cardeais votarão quatro vezes a partir da quinta-feira: duas pela manhã e duas à tarde.
A Capela Sistina não será um espaço para discursos, debates e negociações que levem a um nome de consenso entre os "bergoglistas", devotos de Jorge Bergoglio, e a ala mais conservadora que criticou muito seu pontificado reformista voltado para os mais pobres.
As conversas acontecerão durante as refeições ou reuniões na residência Santa Marta e outros aposentos vaticanos, onde os cardeais permanecerão isolados, sem acesso a internet, celular, televisão ou à imprensa.
As eleições de Bento XVI e Francisco levaram dois dias. A maioria dos cardeais acredita que o atual conclave deve durar no máximo três, enquanto os mais pessimistas acreditam em cinco dias de votações.
Os participantes juram manter em sigilo os detalhes de todo o processo.
Francisco criou 80% dos cardeais que participam do conclave, o maior e mais internacional da história, com prelados de 70 territórios.
- "Extra omnes" -
Dentro da Capela Sistina, o italiano Pietro Parolin - o cardeal eleitor mais antigo, segundo a ordem de precedência - liderará os cardeais na invocação latina do Espírito Santo: "Veni, Creator Spiritus".
E com o grito de "extra omnes" (todos fora), as portas se fecham e começa a votação.
Cada cardeal escreve o nome de seu candidato, dobra a cédula e a coloca em um prato de prata, que é usado para depositar o papel em uma urna posicionada diante do afresco do Juízo Final.
As cédulas são queimadas em um fogão. Caso os dois terços não sejam alcançados, um produto químico é adicionado para que a fumaça saia preta; quando o papa é eleito, a fumaça é branca.
Parolin está entre os favoritos para suceder Francisco, de quem foi secretário de Estado por 12 anos.
O jornal Il Messaggero inclui também no "grupo de papáveis" o italiano Pierbattista Pizzaballa, o húngaro Peter Erdo, o cingalês Malcolm Ranjith e o espanhol Ángel Fernández Artime.
Os cardeais se reuniram quase diariamente desde o falecimento de Francisco em 21 de abril para se conhecerem e para discutir temas cruciais para a Igreja, como as finanças do Vaticano, o escândalo dos abusos sexuais, a unidade da instituição e o perfil do próximo papa.
A.Williams--AT