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Dezenas de milhares se reúnem na Cidade do México em apoio a Sheinbaum
Dezenas de milhares de pessoas procedentes de todo o México se reuniram neste sábado (6) na capital do país, convocadas pela presidente Claudia Sheinbaum, que chamou uma grande concentração para reforçar seu apoio após um mês de críticas políticas e protestos multitudinários.
A esquerdista Sheinbaum tem tido altos índices de aprovação desde sua chegada ao poder no ano passado, mas esse apoio caiu levemente nos últimos meses, passando de 74% em outubro para 71% no início de dezembro, segundo o resumo de pesquisas da Polls MX.
O assassinato, em 1º de novembro, de um popular prefeito muito crítico da política de segurança da mandatária desencadeou fortes protestos, aos quais se somou pouco depois uma violenta marcha convocada em nome da Geração Z e a renúncia abrupta do procurador-geral Alejandro Gertz.
Combinados, configuraram o momento político mais difícil da gestão da presidente mexicana, que agora busca mostrar respaldo de suas bases.
"Claudia, escuta, o povo está na luta", gritavam neste sábado os manifestantes enquanto marchavam rumo ao Zócalo, a grande praça da Cidade do México onde fica o Palácio Nacional, carregando um enorme boneco com a figura da presidenta.
Ali se reuniram dezenas de milhares de pessoas trazidas em ônibus desde os quatro cantos do país para demonstrar a capacidade de mobilização do Morena, o partido governista fundado pelo antecessor de Sheinbaum, Andrés Manuel López Obrador, que defende a "justiça social" com políticas de ajuda aos mais desfavorecidos.
Os povos originários "somos mais visíveis" com o governo de Sheinbaum, disse à AFP José Pérez, de 24 anos e origem otomí, que trabalha numa loja de artesanatos.
O maior desafio da presidente até agora tem sido "lidar com gente que tem tudo", afirmou, referindo-se à oposição de direita.
Entretanto, na opinião de vários analistas, os problemas da Sheinbaum não vêm apenas de seus opositores, mas também de dentro de seu próprio partido, o Morena.
Esta concentração no Zócalo é uma "tentativa de dar um respaldo interno, de recompor a narrativa, de convocar à unidade", explicou à AFP o analista político Pablo Majluf.
Sheinbaum é "uma presidente incrivelmente eficiente" que gosta de ter controle e exige muito de sua equipe. Mas também tem a pele "muito fina" e "tem dificuldade para conviver com o dissenso", considerou outro analista, Hernán Gómez Bruera, em referência às críticas e ataques internos à política da mandatária.
R.Lee--AT