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Sucessor de Francisco deve 'continuar' seu trabalho, diz cardeal venezuelano
O sucessor do papa Francisco na cátedra de São Pedro deve "continuar" o trabalho iniciado pelo jesuíta argentino, que representou um "sopro de ar fresco" para a Igreja Católica, diz o cardeal venezuelano Baltazar Porras.
O cardeal conversou com a AFP em uma rua próxima à Basílica de São Pedro enquanto caminhava para o Vaticano, apoiado em uma bengala. Sacerdotes e leigos o pararam para tirar uma foto e conversar com ele.
Criado cardeal dos Santos João Evangelista e Petrônio pelo primeiro pontífice latino-americano em 2016, o nativo de Caracas poderá participar de seu primeiro conclave, mas não poderá votar no futuro papa, pois completou 80 anos, a idade limite, em outubro.
PERGUNTA: Uma das missões dos cardeais agora será escolher o sucessor de Francisco. Como você acha que isso deve ser feito?
RESPOSTA: O futuro papa "não terá vida fácil, porque o mundo de hoje não é fácil. Mas acredito que quem quer que o Espírito Santo coloque à frente - como o próprio papa Francisco disse: este é um processo irreversível - continuará tudo o que ele começou, que não é apenas para o bem da Igreja, mas para o bem de toda a humanidade".
PERGUNTA: Como está vivendo esses dias no Vaticano, com milhares de pessoas esperando para visitar a capela-ardente?
RESPOSTA: "Acabei de chegar ao Vaticano, mas acho que isso é universal. Venho da Venezuela e, com a notícia da morte do papa Francisco, todos sentiram como se ele fosse o parente mais próximo, precisamente por causa de sua simplicidade, sua humildade, aquele profundo senso que ele tinha de se conectar com todas as pessoas, independentemente de quem fossem".
"Agora mesmo eu saio na rua aqui em Roma e um muçulmano vem até mim e me diz que veio porque ouviu o papa Francisco dizer algo sobre fraternidade e que somos todos filhos de Deus e temos que seguir em frente. Esse é um dos muitos legados que o papa Francisco nos deixa".
PERGUNTA: O que o papa Francisco, o primeiro pontífice latino-americano, representou para você, como venezuelano?
RESPOSTA: "Acredito que, como latino-americano, significou um sopro de ar fresco, de simplicidade, de proximidade e que é uma expressão do que a fé cristã é e do que a fé cristã e a fé católica têm sido em nosso continente".
"Como venezuelano, também sinto uma gratidão muito profunda em relação ao papa Francisco, com quem tive, graças a Deus, uma amizade, uma proximidade e o presente que ele nos deu durante sua doença dos dois primeiros santos venezuelanos canonizados: Dr. José Gregorio Hernández e Madre Carmen Rendiles".
PERGUNTA: Como sua morte foi sentida na Venezuela?
RESPOSTA: "Foi realmente uma expressão além de qualquer coisa que poderíamos ter imaginado. É como se o pai ou a mãe de alguém tivesse morrido, o que é indicativo de como o papa Francisco entrou completamente no coração da humanidade".
"Certamente ele já está desfrutando da presença do Senhor e intercedendo para que o caminho que ele iniciou, esse processo como ele fala, continue para o bem de toda a humanidade".
M.Robinson--AT