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Ministro e deputado parentes da presidente de Honduras renunciam por escândalo narco
O ministro da Defesa de Honduras e seu pai deputado, respectivamente sobrinho e cunhado da presidente hondurenha, Xiomara Castro, anunciaram, neste sábado (31), suas renúncias em meio a um escândalo por supostos vínculos com o narcotráfico três dias depois de a mandatária cancelar um tratado de extradição com os Estados Unidos.
O secretário do Congresso, Carlos Zelaya, que é irmão do ex-presidente Manuel Zelaya, marido da chefe de Estado deposto em um golpe de Estado em 2009, anunciou sua demissão para enfrentar uma investigação sobre supostos vínculos com narcotraficantes.
"Vou apresentar minha renúncia ao Congresso Nacional como deputado e secretário do Congresso para me despojar de qualquer tipo de blindagem que possa ter e ser investigado", disse o deputado à imprensa.
Pouco depois, seu filho, o ministro da Defesa José Manuel Zelaya, também anunciou sua renúncia.
"Para que se investigue com toda a liberdade, apresentei minha renúncia como Ministro da Defesa perante a Presidenta", escreveu o alto funcionário na rede X, defendendo "a integridade e a honra" de seu pai.
Após depor no Ministério Público, Carlos Zelaya disse ter caído "em uma armadilha", ao admitir que participou, em 2013, de uma reunião em que esteve presente um conhecido narcotraficante hondurenho e foi oferecido "um aporte para a campanha" eleitoral do partido governista Liberdade e Refundação (Libre).
"Essa reunião nunca teve o aval do presidente Zelaya, nunca teve nem o aval, nem o acompanhamento, muito menos o conhecimento dessa reunião, nem a presidente Castro. Foi uma reunião unilateral da minha parte", afirmou, no entorno da Agência Técnica de Investigação Criminal em Comayaguela, cidade vizinha à capital, Tegucigalpa.
- Tratado cancelado -
Suas declarações ao MP e à imprensa ocorreram três dias depois de a presidente de esquerda anunciar sua decisão de cancelar o tratado de extradição com os Estados Unidos, que permitiu prender e mandar para aquele país 50 hondurenhos ligados ao narcotráfico, entre eles políticos poderosos.
No dia seguinte, afirmou que o fez para evitar que os Estados Unidos o usassem contra militares que lhe são leais e facilitar uma tentativa de golpe de Estado.
"Está sendo produzido um plano contra meu governo", afirmou a presidente na quinta-feira, referindo-se implicitamente aos Estados Unidos.
O cancelamento do tratado com os Estados Unidos leva a crer que há funcionários do governo hondurenho "vinculados" com as drogas, declarou à AFP na sexta-feira o sociólogo Pablo Carías.
Xiomara Castro tomou a decisão em resposta à "ingerência" da embaixadora americana em Tegucigalpa, Laura Dogu, que criticou uma reunião do ministro Zelaya, e do comandante das Forças Armadas, general Roosevelt Hernández, com o ministro da Defesa da Venezuela, general Vladimir Padrino López.
"Sentados ao lado de um narcotraficante na Venezuela", criticou Dogu.
- Mencionado em julgamento em Nova York -
Carlos Zelaya foi mencionado, em março passado, no julgamento em Nova York no qual o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández foi condenado a 45 anos de prisão por narcotráfico.
"Se amanhã mesmo o governo dos Estados Unidos acreditar que tem os dados ou as provas suficientes para me levar a um julgamento, amanhã mesmo posso me apresentar à justiça americana", acrescentou o deputado Zelaya.
O procurador-geral de Honduras, Johel Zelaya, que assumiu o cargo em novembro passado, mandou uma equipe ouvir as audiências no julgamento contra Hernández em Nova York e investigar os hondurenhos que fossem mencionados.
"Vamos continuar com nossas investigações, não vamos descansar até que a verdade prevaleça em Honduras e se faça justiça ao Povo hondurenho. Seja quem for!", afirmou o procurador-geral, após o depoimento do deputado Zelaya.
Em agosto passado, o procurador anunciou que convocaria para depor 36 pessoas que foram mencionadas no processo e uma delas foi Carlos Zelaya.
A.Clark--AT