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Austrália e UE fecham grande acordo comercial
A Austrália e a União Europeia (UE) selaram, nesta terça-feira(24), um importante acordo comercial após anos de negociações, em linha com os recentes acordos de Bruxelas com o Mercosul e a Índia, que visam diversificar suas relações.
Em uma cerimônia em Canberra, a chefe da UE, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, assinaram o pacto em meio à rivalidade comercial com os Estados Unidos e a China, e em plena crise energética desencadeada pela guerra no Oriente Médio.
Na segunda-feira, a UE anunciou que seu acordo comercial com as nações latino-americanas do Mercosul seria aplicado provisoriamente a partir de 1º de maio, apesar de um pedido do Parlamento Europeu para que a Justiça verificasse sua legalidade.
Em janeiro, Bruxelas formalizou um acordo comercial histórico com a Índia após duas décadas de negociações — um pacto que criará uma zona de livre comércio abrangendo dois bilhões de pessoas.
"A UE e a Austrália podem estar geograficamente muito distantes, mas não poderíamos estar mais próximas em termos de nossa visão de mundo", afirmou von der Leyen em Canberra.
Albanese classificou a aliança como "um momento significativo para nossa nação, ao garantirmos um acordo com a segunda maior economia do mundo".
Após oito anos de negociações, as partes resolveram com sucesso pontos de divergência referentes ao uso, pela Austrália, de indicações geográficas para produtos europeus e ao acesso ao mercado europeu para a carne bovina australiana.
- "Concessões inaceitáveis" -
A UE prevê que as exportações para a Austrália cresçam mais de 30% ao longo da próxima década, com um forte aumento de cerca de 50% para os produtores de laticínios e fabricantes de automóveis.
A cota de carne bovina australiana permitida na UE deverá aumentar mais de dez vezes em relação aos níveis atuais nos próximos 10 anos, embora fique aquém do patamar que os pecuaristas australianos almejavam.
Os agricultores europeus denunciaram imediatamente o acordo.
"No contexto pós-Mercosul, o impacto cumulativo de sucessivos acordos comerciais" torna as "concessões" feitas à Austrália "inaceitáveis", afirmou a Copa-Cogeca, entidade que representa os principais sindicatos agrícolas europeus.
Além do acordo comercial, a UE e a Austrália assinaram também um pacto para aprofundar a cooperação nas áreas de defesa, segurança marítima e segurança cibernética, além de matérias-primas essenciais — particularmente minerais de terras raras.
No ano passado, empresas da UE exportaram aproximadamente US$ 42,9 bilhões (R$ 224 bilhões, na cotação atual) em mercadorias para a Austrália, com as exportações de serviços totalizando cerca de US$ 35,9 bilhões (R$ 188 bilhões) em 2024.
O maior mercado de exportação da Austrália é a China, enquanto os Estados Unidos constituem sua principal fonte de investimentos.
No entanto, Canberra redobrou seus esforços para diversificar os mercados para os agricultores desde que uma disputa com Pequim, em 2020, desencadeou um bloqueio de embarques agrícolas por vários anos, e após a imposição de tarifas alfandegárias pelos Estados Unidos no ano passado.
M.Robinson--AT