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Trump afirma negociar o fim da guerra com alto cargo iraniano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (23) que está negociando o fim da guerra com um "líder" iraniano, que não é o líder supremo Mojtaba Khamenei, mas o Ministério das Relações Exteriores de Teerã nega qualquer diálogo com Washington.
O republicano surpreendeu a todos com uma mudança de tom no 24º dia da guerra no Oriente Médio.
Em sua rede Truth Social, ele adiou por "cinco dias" os ataques a usinas de energia ou infraestruturas energéticas com os quais havia ameaçado o Irã caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto até a noite de segunda-feira.
Mais tarde, disse a repórteres que os Estados Unidos e o Irã encontraram "pontos de acordo importantes" durante as negociações conduzidas, segundo ele, com um alto funcionário iraniano.
"Estamos lidando com o homem que acredito ser o mais respeitado e o líder" do país, disse Trump. Não se trata do líder supremo Mojtaba Khamenei, que, segundo ele, está "indisponível".
"Estamos negociando com pessoas que considero muito razoáveis, muito sólidas (...) Elas são muito respeitadas e talvez uma delas seja a que estamos procurando", disse ele, sem revelar nomes.
- "Mudança de regime" -
Donald Trump afirmou que uma "mudança de regime" está em curso no Irã, onde, segundo ele, busca uma relação semelhante à que estabeleceu com a nova liderança na Venezuela após a deposição do então presidente Nicolás Maduro.
"Vejam a Venezuela, como está funcionando bem. Tudo está indo tão bem, com o petróleo e a relação com a presidente interina" Delcy Rodríguez. "Talvez encontremos alguém assim no Irã", afirmou Trump.
Citado pela agência de notícias oficial Irna, o Ministério das Relações Exteriores iraniano "negou que quaisquer negociações ou conversas tenham ocorrido com os Estados Unidos nos últimos 24 dias".
Uma autoridade israelense disse à plataforma de notícias Axios que os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, conversaram com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Mas ele negou categoricamente.
"Não houve negociações com os Estados Unidos, e notícias falsas estão sendo usadas para manipular os mercados financeiros e de petróleo e escapar do impasse em que os Estados Unidos e Israel estão presos", declarou na rede X.
Trump explicou suas exigências a repórteres: "Não queremos enriquecimento de urânio (pelo Irã), mas também queremos o urânio enriquecido" que o Irã guarda escondido.
Se o diálogo falhar, "simplesmente continuaremos bombardeando alegremente", ameaçou.
Os anúncios de Trump injetaram otimismo nos mercados.
Após dias de alta, os preços do petróleo caíram acentuadamente, embora o Brent esteja sendo negociado em torno de 100 dólares o barril (524 reais, na cotação atual).
- Infraestruturas ameaçadas -
Em mais de três semanas de guerra no Oriente Médio, nem os Estados Unidos nem o Irã mencionaram publicamente as negociações.
No sábado, Trump deu a Teerã 48 horas para reabrir o Estreito de Ormuz, caso contrário, ameaçou "aniquilar" a rede elétrica iraniana, composta por mais de 90 usinas, algumas delas no Golfo.
Desde o início da guerra, o Irã tem bloqueado efetivamente essa rota crucial para o fornecimento global de hidrocarbonetos em retaliação aos ataques israelenses e americanos.
Em resposta ao ultimato, o Irã ameaçou fechar completamente o estreito, minar o Golfo e atacar "toda a infraestrutura energética, de tecnologia da informação e de dessalinização de água pertencente aos Estados Unidos".
A imprensa iraniana publicou listas de alvos potenciais no Oriente Médio.
O site Mizan Online, órgão do Judiciário, publicou um infográfico que mostra as duas principais usinas de energia de Israel, Orot Rabin e Rutenberg. Outro infográfico, publicado pela agência Mehr e intitulado "Diga adeus à eletricidade!", tinha como alvo países como a Arábia Saudita e as monarquias do Golfo.
- Crise energética? -
O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, estimou que o mundo "perdeu 11 milhões de barris por dia, mais do que as duas grandes crises do petróleo combinadas" da década de 1970.
O trânsito de mercadorias pelo Estreito de Ormuz caiu 95% desde o início da guerra, segundo a empresa de análises Kpler.
Apenas um pequeno número de navios de carga e petroleiros conseguiu atravessar essa hidrovia, por onde antes passava 20% da produção mundial de hidrocarbonetos.
Além disso, as instalações de energia na região estão sob ataque do Irã.
Enquanto os Estados Unidos afirmam buscar uma saída, Israel, seu aliado, anunciou no domingo que se prepara para "mais algumas semanas de combates contra o Irã e o Hezbollah", um movimento libanês pró-Irã.
Nesta segunda-feira, o exército israelense anunciou que realizaria "uma ampla onda de ataques" em Teerã, onde agências de notícias iranianas relataram explosões em várias áreas.
burx-dla/hme/dbh-erl/dbh/aa
A.Clark--AT