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Equador deporta à Colômbia líder detido de dissidência das Farc
O Equador capturou e deportou, nesta segunda-feira (22), para a Colômbia o principal líder da dissidência das Farc conhecida como Oliver Sinisterra, que se distanciou do processo de paz de 2016 e é aliada de uma das principais organizações de traficantes de droga que operam do outro lado da fronteira.
Carlos Arturo Landázuri Cortés, conhecido como Comandante Gringo, foi detido na província de Imbabura (norte andino), informou na rede social X o comandante da polícia equatoriana, general César Augusto Zapata.
Conhecido como Gringo, foi "entregado" à polícia colombiana na ponte de Rumichaca, confirmou a polícia equatoriana, que difundiu imagens em que ele aparece atravessando a fronteira sob forte esquema de segurança.
Landázuri, que tem 29 anos, substituiu no comando da Oliver Sinisterra o equatoriano Walther Arizala, conhecido como "Guacho", morto por militares colombianos em dezembro de 2018.
Sua fotografia estava na lista dos criminosos mais procurados da Colômbia. Ele é acusado de participar do sequestro e assassinato de uma equipe jornalística do jornal El Comercio de Quito em 2018. No Equador, a polícia o relaciona com a temida facção equatoriana de Los Lobos, uma das mais poderosas.
Sua captura ocorre no momento em que o Equador vive uma das piores investidas do tráfico de drogas, associadas a cartéis da Colômbia e do México. O governo responde com uma dura ofensiva militar sob um estado de exceção e a declaração de "conflito armado interno".
"Está funcionando [...] e estamos dando golpes fortes nestes grupos narcoterroristas", disse, mais cedo, o presidente do Equador, Daniel Noboa, no poder desde novembro.
- Cooperação com EUA -
Localizado entre o Peru e a Colômbia, os maiores produtores de cocaína do mundo, o Equador vive desde o começo de janeiro uma onda de violência que já deixou cerca de 20 mortos.
Devido à sua economia dolarizada, localização estratégica e corrupção dentro das instituições, o Equador se tornou um ponto-chave de distribuição de drogas.
O Equador busca apoio nos Estados Unidos para combater cerca de 20 facções criminosas. Os dois países acordaram na quinta-feira cooperar na guerra contra o narcotráfico, durante a visita de altas autoridades militares e da luta antidrogas americanas.
"É um sinal político potente e concreto de apoio dos Estados Unidos" na luta contra o terrorismo, o narcotráfico e o crime organizado transnacional, declarou a chanceler equatoriana Gabriela Sommerfeld.
No fim de semana, as autoridades equatorianas apreenderam 22 toneladas de cocaína, uma das maiores apreensões da história do país.
Segundo o Ministério Público da Colômbia, a Oliver Sinisterra está entre as "organizações transnacionais dedicadas ao tráfico de cocaína" e "domina" o mercado das drogas no sudoeste da Colômbia.
O acordo de paz de 2016 desarmou o grosso da guerrilha das Farc, mas grupos dissidentes se reorganizaram com novos recrutas e a violência não diminuiu.
As Forças Armadas da Colômbia responsabilizam Landázuri pelas mortes do repórter Javier Ortega (32 anos), do fotógrafo Paúl Rivas (45) e do motorista Efraín Segarra (60), funcionários do jornal El Comercio, do Equador.
Seus corpos foram encontrados três meses depois de seu sequestro no departamento de Nariño (sul).
Também está vinculado ao atentado com carro-bomba contra o comando da Polícia de San Lorenzo, situado em Esmeraldas, noroeste do Equador, que deixou 28 agentes feridos em 2018.
- Traficantes sem fronteiras -
A recente onda de violência no Equador eclodiu em 8 de janeiro, quando foi registrada a fuga do líder de Los Choneros, a principal quadrilha de narcotraficantes do país. À fuga de Adolfo Macías, conhecido como Fito, seguiu-se uma guerra entre o Estado e as quadrilhas, com reféns em presídios, ataques à imprensa, explosões nas ruas, militarização das prisões, operações oficiais em bairros perigosos, toques de recolher.
Nesta segunda, um adolescente de 16 anos entrou armado em sua escola na cidade de Santo Domingo, a oeste de Quito, e aterrorizou alunos e professores, mas sem deixar vítimas, segundo a polícia.
A violência no Equador também ameaça os países do entorno. No domingo, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru anunciaram a criação da primeira rede de segurança interfronteiriça contra as facções transnacionais.
O atual presidente da Colômbia, o esquerdista Gustavo Petro, aposta em uma saída negociada para seis décadas de conflito armado. Desde que assumiu o poder, em 2022, ele negocia com a guerrilha do ELN e a dissidência mais poderosa das Farc, conhecida como Estado-maior Central (EMC).
Oficialmente, não se sabe de aproximações entre o governo e a Oliver Sinisterra.
F.Wilson--AT