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Ex-chefe de inteligência da Venezuela declara-se 'não culpado' a juiz dos EUA
O ex-chefe de inteligência militar da Venezuela, Hugo "Pollo" Carvajal, extraditado da Espanha para os Estados Unidos, declarou-se "não culpado" em sua primeira audiência diante de um juiz nesta quinta-feira (20) em um tribunal de Nova York, constatou a AFP.
Através de seu advogado, o antigo homem de confiança do falecido presidente Hugo Chávez declarou sua inocência das acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas e armas apresentadas pela Justiça americana, durante audiência de custódia no tribunal federal sul de Manhattan, perante o juiz Stewart Aaron.
Carvajal, de 63 anos, permanecerá detido, mas seus advogados anunciaram que pedirão a libertação mediante fiança para seu cliente "quando for possível".
Enquanto isso, pediram ao juiz que autorizasse o fornecimento dos medicamentos que Carvajal toma para seus problemas de saúde. A próxima audiência está prevista para 25 de julho.
O advogado principal, Zachary Margulis, afirmou que seu cliente é "categoricamente inocente" das acusações apresentadas pela Justiça americana. Se for considerado culpado, poderia passar o resto de seus dias na prisão.
"Nos 15 anos desde que a administração [George W.] Bush colocou o foco no general Carvajal, não veio a público nenhuma prova tangível que o relacione com nenhum delito", disse Margulis aos jornalistas ao término da audiência, ao ler um comunicado que havia distribuído anteriormente.
"Ao contrário da maioria dos casos federais de drogas, o governo não demonstrou possuir provas", assegurou o advogado. Ele indicou que as acusações foram baseadas em "depoimentos falsos e não corroborados de narcotraficantes desesperados e ex-funcionários venezuelanos corruptos com rancores pessoais e profissionais".
A defesa também alega que, no caso de Carvajal, e ao contrário de outros, "não há evidência de riqueza injustificada". "Sem dinheiro não há motivação", afirmou o advogado.
- Julgamento -
Ao se declarar não culpado, o detido terá que passar por um julgamento por júri popular em uma data que ainda será definida.
A Promotoria acusa Carvajal de "se aproveitar de sua autoridade como diretor de inteligência militar da Venezuela (DIM) para corromper as instituições venezuelanas, abusar dos venezuelanos e importar veneno para os Estados Unidos".
Além disso, acusa o ex-militar de ter sido um dos líderes, junto com outros funcionários venezuelanos de alto escalão, do cartel de Los Soles, pelo menos desde 1999.
Figura de peso no regime chavista durante anos, Carvajal foi criticado por Nicolás Maduro por ter apoiado publicamente seu opositor, Juan Guaidó, quando este se autoproclamou presidente da Venezuela em fevereiro de 2019.
Na país sul-americano, as autoridades o acusam de traição, conspiração continuada, financiamento do terrorismo e associação criminosa.
Na quarta-feira, o presidente do Parlamento venezuelano, o poderoso líder chavista Jorge Rodríguez, pediu aos Estados Unidos que entregasse Carvajal para que fosse julgado na Venezuela.
O ex-chefe de inteligência venezuelano chegou a Nova York procedente da Espanha, onde lutou contra a extradição solicitada pelas autoridades americanas desde que foi detido pela primeira vez em abril de 2019.
Carvajal alegava que poderia ser condenado à prisão perpétua nos Estados Unidos sem possibilidade de recurso.
Y.Baker--AT