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Paraguai atrai Brasileiros
O Paraguai tornou‑se um destino irresistível para muitos brasileiros. Nos últimos anos, mais de 263 mil cidadãos do Brasil já fixaram residência no país vizinho, transformando‑o no maior polo de imigração brasileira na América do Sul. O movimento é tão intenso que, de janeiro a junho de 2025, o número de pedidos de residência aumentou 50,3 % em relação ao mesmo período do ano anterior; mais da metade dos mais de 20 mil pedidos foram apresentados por brasileiros, demonstrando uma migração em massa em busca de uma vida mais favorável. Este fenômeno não é novo: desde a construção da Ponte da Amizade e do Tratado de Itaipu, nos anos 1960, agricultores brasileiros atravessam a fronteira em busca de terras férteis e oportunidades econômicas. Ao longo das décadas, os chamados brasiguaios transformaram regiões como Santa Rita e Naranjal em potências do agronegócio, introduzindo o cultivo intensivo de soja e milho.
Ambiente econômico e fiscal favorável
O principal atrativo do Paraguai é seu sistema tributário simplificado, conhecido como “10‑10‑10”. A alíquota do imposto de renda é de 10 % para pessoas físicas e jurídicas, e o imposto sobre valor agregado (equivalente ao ICMS) também fica em 10 %. Rendimentos obtidos no exterior não são tributados, e a herança e as doações são isentas. Para empresas exportadoras, a Lei Maquila (Lei 1064/97) criou um regime especial no qual se paga apenas 1 % sobre o valor da receita. O Ministério da Indústria e Comércio observa que 65 % do que é produzido sob o regime de maquila é destinado ao Brasil, evidenciando a integração das cadeias produtivas.
A combinação de carga tributária baixa, burocracia reduzida e estabilidade econômica impulsiona grandes empresas brasileiras a instalar fábricas no país vizinho, onde é mais barato produzir e exportar para o Brasil do que manter a produção no território nacional. A eletricidade, fornecida em grande parte pela hidrelétrica de Itaipu, custa em média 39 USD/MWh, enquanto no Brasil a tarifa industrial atinge cerca de 123 USD/MWh, diminuindo drasticamente os custos operacionais. Além disso, o Paraguai mantém inflação controlada e crescimento do PIB acima de 4 %, com plano governamental para dobrar a economia em uma década a partir de políticas de exportação e industrialização.
Custo de vida e qualidade de vida
Outra força motriz da migração é o custo de vida muito mais baixo. Índices internacionais mostram que o Paraguai pode ser até 2 119 % mais barato que o Brasil. Enquanto um lanche rápido como o “Big Mac” custa 286 % a mais no Brasil, no Paraguai um apartamento de um quarto em área nobre sai em média por R$ 1 931,75, contra R$ 3 019,48 em cidades brasileiras. Os gastos com eletricidade e gás para um apartamento de 85 m² chegam a ser 743 % mais baixos. Esse diferencial se estende a escolas privadas, saúde, lazer e alimentação, permitindo que famílias mantenham um padrão de vida confortável com muito menos recursos.
A educação superior é um capítulo à parte. Ao todo, 58 universidades estão habilitadas no Paraguai, e 26 delas se concentram em Ciudad del Este. O Conselho Nacional de Educação Superior (Cones) contabiliza 45 872 alunos matriculados em cursos de Medicina no país, dos quais 35 273 são brasileiros. Isso significa que mais de 76 % dos estudantes de medicina são do Brasil, a maioria no departamento fronteiriço de Alto Paraná. Esses estudantes injetam mais de US$ 20 milhões por mês na economia local em mensalidades, moradia e alimentação. A explicação está nos preços: enquanto uma mensalidade de Medicina pode chegar a R$ 8 000 em Belém, por exemplo, no Paraguai varia entre R$ 1 200 e R$ 1 900.
Acesso facilitado à residência
O governo paraguaio simplificou os processos migratórios. Em 2025, 20 mil estrangeiros requisitaram residência legal, e os brasileiros responderam por 11 723 desses pedidos. As autorizações (temporárias e permanentes) concedidas no primeiro semestre somaram 16 406, um aumento de 41,7 % em relação ao ano anterior.
A legislação migratória adotada em 2022 exige que a maioria dos estrangeiros obtenha residência temporária antes da permanente, mas o procedimento é acessível: não é necessário investir ou manter saldo bancário no país. O custo total gira em torno de US$ 363 em taxas governamentais, e o candidato só precisa apresentar passaporte, antecedentes criminais e documentos traduzidos. O processo leva em média três meses e concede o direito de viver, trabalhar, estudar e abrir negócios. Após dois anos como residente temporário, já é possível solicitar a residência permanente. Não há obrigatoriedade de permanecer no país em tempo integral; basta manter um endereço local ou visitar ocasionalmente para manter o status ativo.
Agronegócio e terras acessíveis
Historicamente, a busca por terras baratas motivou as primeiras levas de brasileiros ao Paraguai. Hoje, o setor agropecuário continua sendo um imã para investidores. O valor médio por hectare no Paraguai é inferior ao praticado em muitas regiões agrícolas do Brasil. O país oferece clima e solo favoráveis para soja, milho e pecuária de corte, além de impostos baixos, mão‑de‑obra competitiva e burocracia reduzida. A proximidade geográfica facilita o escoamento da produção e as exportações.
Para estrangeiros, a compra de propriedades rurais é legal e relativamente simples: basta escolher a área, verificar a documentação e registrar a compra. Incentivos como a Lei Maquila e a Lei 60/90 estimulam investimentos, e a energia barata oriunda de fontes renováveis reduz os custos produtivos. A estabilidade econômica e as reservas internacionais robustas fornecem segurança adicional ao investidor.
Desafios e perspectivas
Apesar dos atrativos, o Paraguai enfrenta desafios. Cerca de 27 % da população vive em situação de pobreza, e o país aparece na 136ª posição no índice mundial de percepção de corrupção. Além disso, autoridades paraguaias reconhecem que o crescimento acelerado do ensino privado nem sempre garante qualidade; o Cones trabalha para que universidades ofereçam cursos sustentáveis e docentes qualificados.
A estabilidade econômica, o ambiente fiscal amigável e a proximidade geográfica sustentam a tendência de migração. Empresas, estudantes, agricultores, aposentados e nômades digitais encontram no Paraguai impostos reduzidos, energia barata, custo de vida acessível e processos migratórios simples. Enquanto o Brasil discute reformas, milhares de brasileiros já atravessaram a fronteira em busca de um futuro mais próspero.
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