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Nova York recorda os atentados de 11 de setembro sem Donald Trump
Nova York recorda, nesta sexta-feira (11), os 25 anos dos piores atentados perpetrados em território americano, sem o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e em meio à rejeição de conservadores à participação, na cerimônia, do primeiro prefeito muçulmano da cidade.
Trump optou por comparecer a outra cerimônia, no Pentágono, sede do Departamento da Defesa, também alvo de um avião sequestrado pelo grupo terrorista Al-Qaeda em 11 de setembro de 2001.
O vice-presidente JD Vance estará em Nova York ao lado dos quatro ex-presidentes americanos, os democratas Joe Biden, Barack Obama e Bill Clinton, assim como o republicano George W. Bush, que governava o país no dia em que os ataques mataram quase 3.000 pessoas.
Ao lado deles estará Zohran Mamdani, de 34 anos, integrante da ala esquerda do Partido Democrata e primeiro prefeito de Nova York a prestar juramento sobre o Alcorão.
Após os atentados, os atos antimuçulmanos dispararam em Nova York e no restante dos Estados Unidos. A polícia também reforçou a vigilância sobre as comunidades muçulmanas em nome da luta contra o islamismo, com base em um programa que posteriormente foi abandonado.
Em 2001, "é claro que já havia uma população muçulmana em Nova York, mas era menos numerosa e praticamente não tinha peso político. Desde então, a situação mudou consideravelmente, tanto na cidade como em escala nacional", declarou à AFP o cientista político Lincoln Mitchell.
- Giuliani "ofendido" -
Apesar disso, algumas vozes conservadoras pediram que Mamdani não participasse das cerimônias, incluindo Rudy Giuliani, prefeito de Nova York na época dos atentados e que depois foi advogado de Donald Trump.
Giuliani se declarou ofendido com a presença do jovem prefeito no "Marco Zero".
Com mais de 100.000 assinaturas de apoio, uma petição acusa Mamdani de estar associado a pessoas "desdenhosas das instituições americanas ou insuficientemente críticas em relação às ideologias extremistas", sem apontar quais.
Membro da pequena organização Socialistas Democráticos da América, Mamdani é um ativista comprometido com a causa palestina e muito crítico a Israel, país que acusa de ter perpetrado um "genocídio" em Gaza.
Durante a semana, ele anunciou a divulgação de dezenas de milhares de documentos que revelariam, segundo ele, que a cidade ocultou informações sobre a toxicidade do ar após os atentados contra o World Trade Center.
Além das 2.977 pessoas que morreram nos Estados Unidos no dia dos atentados, principalmente em Nova York, mais de 9.400 faleceram posteriormente em consequência de doenças relacionadas à exposição a substâncias tóxicas, segundo o programa federal de acompanhamento médico.
"As pessoas ficaram doentes porque os dirigentes em quem confiavam mentiram ao afirmar que poderiam respirar sem perigo um ar tóxico", afirmou Mamdani. Entre os que poderiam ser acusados estão Rudy Giuliani e Michael Bloomberg, eleito prefeito em novembro de 2001.
- Uma recordação que se apaga -
Segundo o SITE Intelligence Group, organização especializada em vigilância de páginas islamistas, a Al-Qaeda publicou imagens de seu líder na época dos atentados, Osama bin Laden, e de seu filho Hamza, por ocasião do aniversário.
Bin Laden foi morto em 2011 em uma operação americana; seu filho, em 2019, de acordo com Trump.
Vinte e cinco anos depois dos atentados, há quase "100 milhões de americanos que ainda não tinham nascido ou eram muito jovens para se lembrar deles", destaca Beth Hillman, presidente do Museu e Memorial do 11 de Setembro.
Concentrada durante muito tempo na "preservação da memória", a instituição agora intensifica os esforços para divulgar e educar, com testemunhas capacitadas para falar a públicos que só conheceram os fatos por meio de seus pais ou na escola.
"Você nunca chega a compreender realmente até que ponto isso é real, nem o que se sente até estar neste lugar", declarou à AFP Max Avena, um estudante do Ensino Médio de 17 anos que visitou o Marco Zero
Nesta sexta-feira, em um bairro do sul de Manhattan isolado para a ocasião e sob forte vigilância policial, os parentes das vítimas começarão a ler às 8h40 (9h40 de Brasília) a longa lista de nomes dos falecidos.
Como em todos os anos, um sino tocará sete vezes para marcar os principais momentos ocorridos em 11 de setembro de 2001.
R.Lee--AT