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Sérvia recebe com honras militares o corpo de Ratko Mladic, o "açougueiro da Bósnia"
O corpo do ex-chefe militar sérvio-bósnio Ratko Mladic, apelidado de "açougueiro da Bósnia", que morreu na semana passada em Haia, onde cumpria prisão perpétua por crimes de guerra, chegou nesta quinta-feira (3) à Sérvia, onde foi recebido com honras militares.
Esse ex-general comandou as forças sérvias da Bósnia durante a guerra de 1992-1995. Ele se via como um herói, mas acabou sendo descrito como "a quintessência do mal" por crimes como o cerco de Sarajevo e o massacre de Srebrenica.
O caixão com os restos mortais de Mladic, coberto com a bandeira sérvia, foi retirado do avião por seis soldados após sua chegada de Haia, na presença de seu filho, Darko, e do ministro da Justiça da Sérvia, Nenad Vujic.
Depois, foi transportado em uma carreata escoltada pela polícia até um hospital militar de Belgrado, informou a televisão nacional RTS.
Durante a passagem do comboio, dezenas de jovens se reuniram nas passarelas sobre a rodovia com cartazes em homenagem a Mladic e sinalizadores, segundo imagens divulgadas por veículos de comunicação próximos ao governo.
O tribunal de Haia ordenou uma investigação completa sobre as circunstâncias em torno da morte de Mladic.
O presidente sérvio, Aleksandar Vucic, declarou que espera que "dezenas de milhares de pessoas" compareçam ao funeral de Mladic.
Ele foi detido em 2011 em Lazarevo, na Sérvia, após 16 anos foragido, e extraditado para Haia, onde foi julgado pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia (ICTY, na sigla em inglês).
Foi condenado em 2017 à prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante o conflito bélico que deixou cerca de 100 mil mortos. O veredicto foi confirmado em apelação em 2021.
Entre seus crimes, destaca-se o massacre de Srebrenica, onde as forças sérvio-bósnias sob o comando de Mladic executaram, em julho de 1995, cerca de 8 mil homens e adolescentes bósnios muçulmanos que tinham buscado refúgio no que se acreditava ser um enclave protegido pela ONU.
O ministro da Justiça sérvio anunciou na semana passada que Mladic "receberá todas as honras militares e de Estado que merece", mas o presidente disse depois que o funeral será "digno e de acordo com os desejos da família".
A comissária de Ampliação da Comissão Europeia, Marta Kos, criticou, na segunda-feira, os planos de enterrar Mladic com honras de Estado.
"A glorificação de criminosos de guerra vai contra os valores fundamentais europeus e não tem lugar na União Europeia nem nos países que aspiram a tornar-se membros", afirmou Kos.
A idade de Mladic sempre foi motivo de controvérsia. Ele dizia ter nascido em março de 1943, mas o tribunal estabeleceu seu ano de nascimento em 1942. Veículos de imprensa locais divulgaram que ele tinha morrido aos 84 anos.
N.Walker--AT