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Empresas tentaram barrar documentário sobre últimos anos de Stan Lee, afirma diretor
O entusiasta de quadrinhos Jon Bolerjack começou a filmar Stan Lee, então com mais de 90 anos, por volta de 2014, com o objetivo de retratar um dia na vida da lenda por trás de muitos dos super-heróis da Marvel.
Mas acabou documentando um suposto abuso sofrido pelo homem que revolucionou o mundo dos quadrinhos, um relato que soa como um alerta para parte da indústria.
"Stan Lee: The Final Chapter", que chega aos streamings nesta terça-feira (28), mostra Lee submetido a uma agenda extenuante em seus últimos anos, marcada por infinitas sessões de autógrafos e convenções.
O filme reúne denúncias de pessoas de seu círculo sobre a suposta exploração por parte de dois ex-agentes, um dos quais foi acusado de fraude, roubo e privação ilegal de liberdade em 2019, um ano depois da morte do cocriador de super-heróis como Homem-Aranha e Pantera Negra.
Bolerjack, que afirma ter acompanhado Lee em seus últimos dias, disse em entrevista à AFP que foi pressionado direta e indiretamente por um ex-administrador do editor e por empresas que preferiu não identificar para que não lançasse o material.
"Existe o fator vergonha: há quem soubesse de parte do que acontecia, mas desviavam o olhar", comentou durante a Comic-Con de San Diego, que recebeu seu documentário.
"Se você quer o rosto do Stan em uma lancheira, quer que as pessoas tenham pensamentos felizes em torno do Stan? Ou quer que elas saibam que ele não era tão feliz? É mais fácil vender o Stan se ele estiver feliz", completou.
- Más decisões -
Nascido em 1922 em Nova York, Stanley Martin Lieber começou a trabalhar ainda adolescente na antecessora da Marvel, a Timely Comics, onde adotou o pseudônimo de Stan Lee e cocriou alguns dos super-heróis mais famosos de todos os tempos.
Seus personagens eram homens imperfeitos, com superpoderes, mas também com problemas mundanos, o que ajudou a popularizá-los e a criar legiões de fãs.
A câmera de Bolerjack retrata um Lee afável e com pouco tino comercial. "Ninguém tomou decisões comerciais piores do que eu", diz o escritor em uma cena, ao descrever um acordo com a Disney em que, segundo ele, aconselhado por um advogado, teria rejeitado receber royalties pelos personagens da Marvel e aceitado um pagamento de 6 milhões de dólares, dos quais seu advogado teria ficado com a metade.
A Disney comprou a Marvel Entertainment em 2009 por 4 bilhões de dólares (7,9 bilhões de reais na cotação da época).
Mas Lee não guardava rancor, afirmou Bolerjack: "Ele sabia que tinha feito um mau negócio e nunca tentou culpar a Disney por isso".
O documentarista revelou que o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, visitou Lee um mês antes de sua morte.
"Foi muito gentil (...) Sei que Stan gostou muito e fez com que ele se sentisse especial por ter se dado ao trabalho".
Seus últimos dias transcorreram "em paz", disse o diretor, que ainda se pergunta se Lee realmente compreendeu "o que lhe aconteceu".
Bolerjack insiste que seu documentário não aborda um famoso que foi enganado, mas uma situação que pode afetar qualquer pessoa.
"Isso sempre vai acontecer. Aconteceu com Elvis (Presley) e vai acontecer de novo", adicionou.
O.Brown--AT