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Christopher Nolan adapta em grande estilo a epopeia de Ulisses em 'A Odisseia'
Em seu mais recente projeto, "A Odisseia", o cineasta Christopher Nolan apresenta uma nova versão da epopeia mitológica de Ulisses, com um elenco estrelado que inclui Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland e Zendaya.
Para adaptar o poema de Homero, de 3.000 anos, o premiado diretor de "Oppenheimer" quis fazer tudo em grande escala.
"A Odisseia", que estreia esta semana no Brasil, foi rodada em seis países (Grécia, Marrocos, Itália...), com algumas cenas em alto-mar e câmeras IMAX, um formato que oferece uma resolução única, mas é tecnicamente muito exigente.
Os números que circulam sobre o orçamento também são colossais: 250 milhões de dólares (1,27 bilhão de reais).
"Foi um filme difícil, mas tinha que ser: é a 'Odisseia'!", brinca Nolan em entrevista em Paris a vários veículos, entre eles a AFP.
"A Odisseia" conta o conturbado retorno de Ulisses (Matt Damon) à sua ilha de Ítaca, onde sua esposa Penélope (Anne Hathaway) e seu filho Telêmaco (Tom Holland) enfrentam ataques dos pretendentes ao trono.
"As decisões que ele toma nem sempre são as corretas, o que o torna muito imperfeito e muito humano", afirma Matt Damon na estreia em Paris.
- Culpa -
"Sempre busco espaços a preencher na cultura cinematográfica e fiquei muito surpreso ao perceber que a mitologia grega, especialmente a 'Odisseia', texto fundacional da literatura ocidental, poucas vezes havia sido levada ao cinema", explica o cineasta britânico de 55 anos.
Em 2004, "Tróia", de Wolfgang Petersen, abordou essa guerra, com Brad Pitt no papel de Aquiles. Duas décadas depois, "O Retorno", com Ralph Fiennes e Juliette Binoche, narrou a volta do herói a Ítaca, de um ponto de vista mais íntimo.
Nolan opta por uma encenação espetacular para relatar os vinte anos errantes de Ulisses, cujo destino se assemelha, de certa forma, ao de alguns de seus filmes anteriores.
Como o Batman de "O Cavaleiro das Trevas", o rei de Ítaca torna-se pouco a pouco um herói solitário tentado pela vingança. E, assim como Robert Oppenheimer, consumido pelos estragos da bomba atômica que ajudou a criar, Ulisses luta contra seus remorsos.
"O que me parecia interessante era a ideia de uma pessoa que carrega a culpa de ter mudado o mundo, e não necessariamente para melhor", conta Nolan, que vê também em "A Odisseia" uma reflexão atemporal sobre o que une os seres humanos entre si.
"O respeito às pessoas e a seus direitos é o que define a civilização", analisa o cineasta. "É uma regra de ouro que sustenta os princípios da democracia e dos direitos humanos. Quando começamos a esquecê-la, tudo se desfaz".
B.Torres--AT