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Kathryn Bigelow quer incentivar o debate sobre o risco das armas nucleares com seu novo filme
"Acredito que estamos em uma situação extremamente perigosa". Com "A House of Dynamite", um thriller político sobre um ataque nuclear contra os Estados Unidos, Kathryn Bigelow deseja conscientizar sobre o risco de que a humanidade acabe aniquilada.
"É muito importante iniciar um diálogo [sobre a questão nuclear]. E talvez existam políticas que possam ser modificadas, tratadas ou, pelo menos, analisadas. Seria um passo enorme", comentou a diretora durante um encontro com jornalistas no Festival Internacional de Cinema de Veneza.
Nascida em 1951, a americana diz que ainda lembra dos treinamentos feitos quando era criança, como se esconder debaixo da mesa em caso de ataque nuclear, especialmente durante a crise dos mísseis de Cuba, em 1962.
"A House of Dynamite", produzido pela Netflix e na disputa pelo Leão de Ouro, acompanha militares e funcionários confrontados com o lançamento de um míssil nuclear por um inimigo desconhecido contra o território dos Estados Unidos.
De uma base no Alasca, da sala de crise da Casa Branca ou do centro de comando de dissuasão nuclear, no Nebraska, o filme detalha com precisão como seria a resposta de Washington. E com apenas 19 minutos - o tempo de voo da ogiva antes do impacto - para tomar uma decisão.
- Realismo -
Para rodar o filme, Kathryn Bigelow trabalhou com o roteirista Noah Oppenheim, um ex-jornalista especializado em temas nucleares.
"Desde o início, a missão era: vamos falar com pessoas que têm esses empregos, que estiveram nesses ambientes, e descobrir como exatamente um ato dessa natureza aconteceria", explicou Noah Oppenheim, ganhador do prêmio de melhor roteiro em Veneza em 2016 por "Jackie".
Oficiais de inteligência contribuíram para construir um roteiro crível, assim como "vários militares de alta patente", explicou Bigelow, que se declarou "fascinada" pelo ambiente militar, ao qual já dedicou vários filmes.
São pessoas que "passaram toda a sua vida e sua carreira estudando isso, capacitando-se para desenvolver uma perícia" sobre a dissuasão nuclear", apontou Oppenheim.
"O presidente dos Estados Unidos, não importa quem seja, só tem a autoridade para decidir se utilizamos ou não nosso arsenal nuclear", acrescentou o roteirista.
- Amnésia coletiva -
No filme, Idriss Elba vive um presidente dos Estados Unidos confrontado com o dilema de reagir ou não ao ataque, cuja origem desconhece. "Render-se ou suicidar-se", resume no filme o adjunto do conselheiro de Segurança Nacional.
"Não importa quem está na Casa Branca, no final das contas é um ser humano. A personalidade desse ser humano se concentra nesse botão. É um tema que todo mundo deveria debater", declarou o ator britânico.
"Como a aniquilação pode ser uma medida de defesa? Quero dizer, o que estamos defendendo se já não resta nada? Essa é a minha pergunta", afirmou Kathryn Bigelow, a primeira diretora a ganhar um Oscar com "Guerra ao Terror" (The Hurt Locker), em 2010.
Mas, nas últimas décadas, "coletivamente decidimos nos deixar adormecer. Estamos em uma amnésia coletiva que esperamos acabar" com este filme, disse Noah Oppenheim.
P.Hernandez--AT