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Trump afirma que EUA reduzirá 'drasticamente' o número de tropas na Alemanha
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu neste sábado (2) que os Estados Unidos planejam reduzir "drasticamente" o número de soldados americanos na Alemanha, após um primeiro anúncio, na véspera, sobre a retirada de 5.000 militares, o que foi criticado por legisladores republicanos.
"Vamos reduzir drasticamente, e vamos cortar muito mais que 5.000", afirmou o mandatário republicano à imprensa em West Palm Beach, Flórida.
Na sexta-feira, o Pentágono anunciou a redução deste número de tropas para os "próximos seis a doze meses", o que corresponde aproximadamente a 15% dos 36.000 soldados destacados na Alemanha, um país aliado e membro da Otan.
O mandatário lançou a advertência após o chefe do governo alemão, Friedrich Merz, ter afirmado na segunda-feira que Washington não tem "nenhuma estratégia" no Irã e que a república islâmica "humilhou" a primeira potência mundial.
Trump critica seus tradicionais aliados europeus pela falta de apoio à ofensiva que lançou no fim de fevereiro contra a república islâmica em conjunto com Israel. Também pede-lhes, reiteradamente, que reforcem sua defesa, ao acusá-los de depender em excesso da proteção militar americana.
- "Mensagem equivocada" -
A decisão gerou ceticismo entre os principais legisladores republicanos que supervisionam a política militar americana.
Em uma declaração conjunta emitida neste sábado, o senador Roger Wicker e o deputado Mike Rogers, presidentes das Comissões de Forças Armadas de suas respectivas câmaras, advertiram que a retirada de tropas da Alemanha poderia "enviar uma mensagem equivocada ao (presidente russo) Vladimir Putin".
Embora os aliados europeus estejam aumentando os gastos com defesa, "levará tempo para traduzir esse investimento na capacidade militar necessária para assumir a responsabilidade principal pela dissuasão convencional", afirmaram.
Acrescentaram, ainda, que a Alemanha havia respondido positivamente aos apelos de Trump para aumentar os gastos com defesa e que tinha permitido que aviões americanos utilizassem bases e o espaço aéreo do país durante o conflito com o Irã.
"Esperava-se que tropas dos Estados Unidos fossem retiradas da Europa, e também da Alemanha", comentou o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, em declaração enviada à AFP por seu gabinete.
"Nós, europeus, temos que assumir uma responsabilidade maior por nossa segurança", acrescentou.
- Distanciamento da Europa -
A Otan afirmou, neste sábado, que está "trabalhando com os Estados Unidos para entender os detalhes de sua decisão sobre o dispositivo militar na Alemanha", escreveu sua porta-voz, Allison Hart, na rede social X.
"Este ajuste ressalta a necessidade de que a Europa continue investindo mais em Defesa e assuma uma parte maior de sua responsabilidade em nossa segurança compartilhada", acrescentou.
Desde o início de seu segundo mandato, Trump se mostra hostil a seus aliados tradicionais europeus, que o presidente acusa de não investir o suficiente em sua segurança.
A aproximação de Washington e Moscou em plena guerra na Ucrânia e as ameaças de Trump de tomar a Groenlândia da Dinamarca, uma aliada da Otan, levaram várias capitais europeias a apostar em maior autonomia.
Na sexta-feira, Trump também atacou indiretamente a Alemanha e suas importantes exportações de automóveis. O presidente americano anunciou sua intenção de elevar para 25% "na semana que vem" as tarifas sobre os veículos importados da União Europeia para os Estados Unidos.
Em 2020, durante seu primeiro mandato, o republicano já ameaçou reduzir para 25.000 o número de soldados americanos na Alemanha, ao considerar que este país gastava muito pouco em Defesa. Seu sucessor, o democrata Joe Biden, não executou o plano de redução.
Entre as várias bases americanas na Alemanha, a de Ramstein tem importância particular para as mobilizações e operações americanas no Oriente Médio.
Os Estados Unidos também armazenam armas nucleares em Büchel, no oeste.
P.Hernandez--AT