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Diddy é absolvido de acusações mais graves e condenado por transporte para fins de prostituição
O rapper e magnata da indústria da música Sean "Diddy" Combs foi absolvido nesta quarta-feira (2), nos Estados Unidos, das acusações de associação criminosa e tráfico sexual, mas condenado por duas acusações menos graves, ligadas à prostituição.
Diddy teve seu pedido de liberdade sob fiança negado, após o júri declará-lo culpado de duas acusações de transporte para fins de prostituição. Cada uma delas acarreta uma pena máxima de 10 anos de prisão.
O pioneiro do hip-hop foi absolvido de uma acusação grave de crime organizado e de duas de tráfico sexual, pelas quais poderia ser condenado à prisão perpétua.
"Hoje é um grande dia, é uma vitória, é a vitória de todas as vitórias para Sean Combs e nossa equipe jurídica", disse um de seus advogados, Marc Agnifilo, que afirmou que continuaria "a luta" até a libertação do rapper.
Após sete semanas de julgamento e pouco mais de dois dias de deliberações, o porta-voz do júri anunciou seu veredito ao juiz Arun Subramanian. Aliviado, Diddy juntou as mãos, como se rezasse, e as agitou várias vezes, em um gesto de agradecimento. Depois, voltou-se para sua família, que o apoiou ao longo do julgamento, e murmurou: "Vou para casa."
O juiz, no entanto, determinou que Diddy permaneça em uma prisão do Brooklyn até o anúncio da sentença, possivelmente em outubro. Ele alegou que tanto o magnata quanto sua defesa não conseguiram provar que Diddy "não representa um perigo para ninguém", principalmente para as denunciantes.
A promotoria acusou o fundador da Bad Boy Records de obrigar duas ex-companheiras, Casanda "Cassie" Ventura e uma mulher que testemunhou sob o pseudônimo de "Jane", a manter relações sexuais indesejadas com garotos de programa, com a ajuda de uma equipe de funcionários.
Cassie, que foi companheira de Diddy por mais de uma década, denunciou o rapper na Justiça civil por estupro e agressão sexual. O caso foi resolvido extrajudicialmente, com o pagamento pelo magnata da música de US$ 20 milhões, mas levou a uma enxurrada de ações civis e, por fim, a acusações criminais.
O advogado de Cassie, Douglas Wigdor, disse à AFP que sua cliente "abriu caminho" na busca por justiça. "Seguiremos lutando em nome dos sobreviventes."
- Fim do movimento #MeToo? -
O veredito foi uma vitória da defesa de Diddy. A advogada Teny Geragos chorou e abraçou o colega Marc Agnifilo.
Em uma mudança de contexto político desde que o movimento #MeToo surgiu em 2017, abrindo as portas para denúncias de abuso sexual no trabalho de muitas mulheres, a promotoria emitiu um comunicado não isento de preocupação, no qual indica ter feito "uma abordagem centrada na vítima".
"Os crimes sexuais deixam cicatrizes profundas nas vítimas, e a perturbadora realidade é que [...] estão muito presentes em muitos aspectos de nossa sociedade".
Em outro julgamento emblemático realizado recentemente, o ex-magnata de Hollywood Harvey Weinstein foi absolvido de uma das duas acusações de agressão sexual que pesavam contra ele, e voltará ao banco dos réus para ser julgado por uma acusação de estupro, após a falta de consenso entre os jurados.
B.Torres--AT