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Equipe médica de Maradona vai a julgamento na Argentina por 'teatro do horror' de sua morte
O promotor do julgamento pela morte de Diego Maradona qualificou a internação domiciliar durante a qual a lenda do futebol faleceu, há quatro anos, como "um teatro do horror", ao iniciar nesta terça-feira (11), na Argentina, o julgamento por homicídio contra sete profissionais da saúde.
O promotor Patricio Ferrari afirmou no início da audiência em San Isidro, uma cidade satélite ao norte de Buenos Aires, que os acusados "foram absolutamente indiferentes" ao risco de morte que Maradona corria.
Ele também qualificou a internação domiciliar, na qual o campeão do Mundo de 1986 se recuperava de uma neurocirurgia, como "temerária, deficiente e sem precedentes". Adicionou que a equipe médica não seguiu nenhum protocolo e descreveu o local como "um teatro do horror".
Além disso, Ferrari mostrou uma fotografia de Maradona deitado, com o corpo visivelmente inchado: "Foi assim que Maradona morreu", afirmou.
Os profissionais da saúde que deveriam atendê-lo participaram de "um assassinato", acrescentou o promotor. "Eles o condenaram ao esquecimento (...) e deliberadamente, com crueldade, decidiram que ele morresse."
A exibição da imagem fez com que as três filhas de Maradona, Jana, Dalma e Gianinna, presentes na sala, chorassem. Para o advogado das duas últimas, Fernando Burlando, o uso da imagem "não foi nenhum golpe baixo".
"O golpe baixo foi dado a Diego, porque esse foi o estado em que o deixaram, que no dia do seu velório ele nem cabia no caixão, de tão inflamado e inchado que estava", comentou a um grupo de jornalistas durante uma pausa da sessão.
- Dolo eventual -
Esta primeira audiência começou pouco antes das 11h00 locais e espera-se que o julgamento dure pelo menos até julho, com cerca de 120 testemunhas convocadas.
Sete membros da equipe médica de Maradona são acusados de "homicídio simples com dolo eventual", ou seja, por saberem das consequências fatais de seus atos. Os acusados enfrentam penas de entre oito e 25 anos de prisão.
O carismático jogador, que sofria de múltiplas patologias crônicas, morreu por edema pulmonar e insuficiência cardíaca em 25 de novembro de 2020, em sua residência particular em Tigre, ao norte de Buenos Aires.
Sua morte comoveu o mundo, foi lamentada por milhões e motivou três dias de luto nacional e um velório multitudinário no palácio presidencial.
Dezenas de fãs se reuniram nesta terça-feira em frente ao tribunal com bandeiras argentinas e cartazes com o rosto do ídolo esportivo, gritando "¡Justiça para o Deus do futebol! Que todos paguem!".
Verónica Ojeda, ex-companheira de Maradona e mãe de seu filho mais novo, Diego, de 11 anos, agradeceu entre lágrimas a presença dos fãs antes de entrar nos tribunais.
Os acusados são o neurocirurgião Leopoldo Luciano Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov, o psicólogo Carlos Ángel Díaz, a médica coordenadora Nancy Forlini, o coordenador de enfermeiros Mariano Perroni, o médico clínico Pedro Pablo Di Spagna e o enfermeiro Ricardo Almirón. A enfermeira Dahiana Gisela Madrid será julgada separadamente em um tribunal de júri.
Os cinco filhos de Maradona e as irmãs do futebolista são querelantes.
- Defesa -
Os acusados negam qualquer responsabilidade pela morte da lenda do futebol mundial, justificando-se com sua própria especialidade ou tarefa segmentada.
O advogado Vadim Mischanchuk, defensor da psiquiatra Cosachov, declarou à AFP que estava "muito otimista quanto a uma absolvição".
"Minha cliente estava cuidando da saúde mental de Maradona, mas ele faleceu por um evento cardíaco, por isso de nenhuma maneira [ela] deveria estar aqui neste julgamento", disse.
Por sua vez, o advogado Rodolfo Baqué, advogado do enfermeiro, afirmou: "Lamento muito pelas filhas e pelo filho, mas Almirón foi o que avisou que ele tinha 118 de pulsação, por que ele está aqui?".
"Todos sabiam qual era o estado de Maradona, cada um tinha um poder de decisão diferente. E por que Almirón teria a intenção de matar Maradona?", continuou, relatando que ele havia sido apenas enviado pelo centro de saúde em que trabalhava.
Dalma e Gianinna Maradona, que não deram declarações, pediram repetidamente nas redes sociais "justiça" por seu pai, um clamor que é apoiado por milhares de argentinos.
"Justiça para Diego", proclamam também muitas pichações no bairro La Paternal, em Buenos Aires, onde Maradona iniciou sua carreira de futebolista no clube Argentinos Juniors.
W.Stewart--AT