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'Anora' se consagra como melhor filme e é destaque do Oscar
"Anora", uma tragicomédia sobre uma stripper de Nova York que vive um romance tórrido com um jovem herdeiro russo, foi o destaque neste domingo da cerimônia do Oscar, que a consagrou com o prêmio de melhor filme.
Em uma noite de momentos emocionantes, como o primeiro Oscar do Brasil, Anora, dirigido por Sean Baker, venceu em mais quatro categorias: melhor diretor, roteiro original, edição e atriz.
Baker mencionou em um dos seus discursos as salas de cinema, que perderam público nos últimos anos, em parte devido à pandemia e à chegada do streaming, e defendeu a manutenção da produção para as grandes telas.
"Estamos todos aqui nesta noite e assistindo a esta transmissão porque amamos os filmes", disse o cineasta. "Onde nos apaixonamos pelos filmes? Nos cinemas."
Baker agradeceu às trabalhadoras da indústria do sexo, protagonistas frequentes de suas produções. "Elas compartilharam suas histórias, suas experiências de vida comigo durante anos. Meu mais profundo respeito. Obrigado!"
Outro favorito da noite, "Conclave", um drama que retrata as intrigas no Vaticano durante a eleição de um novo pontífice, levou apenas a estatueta de melhor roteiro adaptado, para o britânico Peter Straughan.
- Oscar do Brasil -
O Brasil fez história ao ganhar seu primeiro Oscar, o de melhor filme internacional, com "Ainda Estou Aqui". O longa, ambientado no período da ditadura militar, venceu a disputa com o musical "Emilia Pérez", indicado em 13 categorias, mas que levou apenas duas estatuetas, após ser envolvido em polêmicas e críticas.
"Isso vai para uma mulher que, depois de uma perda tão grande em um regime tão autoritário, decidiu não se dobrar e resistir", disse Salles, ao receber a estatueta. "Também vai para as mulheres extraordinárias que deram vida a ela: Fernanda Torres e Fernanda Montenegro."
Fernanda Torres concorria ao prêmio de melhor atriz, que foi para Mikey Madison, que derrotou a favorita na categoria, Demi Moore.
Não houve surpresas nos demais prêmios de atuação. Zoe Saldana levou o de melhor atriz coadjuvante, por "Emilia Pérez". "Minha avó veio para este país em 1961. Sou uma filha orgulhosa de pais imigrantes, com sonhos e dignidade e mãos trabalhadoras", disse em seu discurso. "Sou a primeira americana de origem dominicana a receber um prêmio da Academia, e sei que não serei a última."
O grande favorito da temporada, Kieran Culkin, ficou com o prêmio de melhor ator coadjuvante por "A Verdadeira Dor", escrito e dirigido por seu colega de elenco Jesse Eisenberg.
- Homenagens -
Ariana Grande e Cynthia Erivo abriram a cerimônia, apresentada pelo comediante Conan O'Brien, com um número musical que incluiu "Somewhere Over the Rainbow" e "Defying Gravity", de "Wicked".
O evento também prestou uma homenagem musical ao espião mais amado do cinema, o "Agente 007", e aos bombeiros de Los Angeles, que lutaram contra os incêndios florestais que causaram grande destruição na região em janeiro.
O tradicional segmento In Memoriam, uma despedida aos astros que morreram no último ano, foi apresentado por Morgan Freeman, que dedicou palavras emocionantes ao colega Gene Hackman, encontrado morto com sua mulher na última semana, em sua residência no Novo México.
O falecido produtor Quincy Jones também foi tema de um segmento especial, encabeçado por Queen Latifah.
A.Williams--AT