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Morre Alain Delon, o grande ícone do cinema francês
O lendário Alain Delon, último grande ícone masculino do cinema francês, morreu neste domingo (18) aos 88 anos, após uma longa carreira marcada por doenças e conflitos familiares no final de sua vida.
"Alain Fabien, Anouchka, Anthony e (seu cachorro) Loubo anunciam com profundo pesar a morte de seu pai. Ele faleceu pacificamente em sua casa em Douchy, cercado por seus três filhos e sua família", declarou um comunicado de seus filhos.
O ator, que sofria de um linfoma, morreu por volta das 3h00 locais (22h de sábado em Brasília), disse seu filho Anthony à AFP.
"Klein ou Rocco, o leopardo ou o samurai, Alain Delon interpretou seus papéis lendários e fez o mundo sonhar. Ele emprestou seu rosto inesquecível para sacudir nossas vidas", disse o presidente da França, Emmanuel Macron, na rede social X, homenageando este "monumento francês".
Delon praticamente desapareceu das telonas desde o final dos anos 1990, mas não dos tabloides ou da televisão, com declarações polêmicas e problemas familiares.
Em 2023, seus três filhos apresentaram queixa contra sua cuidadora, Hiromi Rollin, por vezes descrita como sua companheira, quem acusaram de se aproveitar de seu estado fragilizado.
Meses depois, os três também se acusaram mutuamente de negligência em relação ao pai, que havia sofrido um AVC anos antes.
Em maio de 2019, Delon voltou ao tapete vermelho de Cannes para receber uma Palma de Ouro honorária, entre lágrimas e um discurso emociante.
"É uma espécie de homenagem póstuma, mas em vida", disse ele na ocasião.
Ele viveu os últimos anos em sua propriedade em Douchy, onde queria ser enterrado, perto de seus cães.
Ele era "um leão majestoso, um ator com olhar de aço (...) ele concebeu tudo e controlou tudo, menos o fim", disse à AFP o ex-presidente do Festival de Cannes, Gilles Jacob.
- Notas de acordeão -
Fãs depositaram flores e lamentaram a perda do ator em frente à sua casa em Douchy neste domingo.
Ao som de seu instrumento, "Titi, o acordeonista" disse ter conhecido Delon anos antes e que foi convidado pelo ator para tocar em frente à sua casa no dia de sua morte.
"O baile acabou (...) ele foi dançar com as estrelas", disse a atriz Claudia Cardinale, que contracenou com ele em "O Leopardo".
Alain Delon participou em mais de 100 filmes desde sua estreia no cinema em 1957 no filme "Uma Tal Condessa", de Yves Allégret.
Foi um grande instinto. Ele se orgulhava de nunca ter trabalhado sua técnica e de confiar em seu carisma, uma mistura única de beleza e frieza frágil.
"O melhor e o pior, ao mesmo tempo inacessível e próximo, frio e ardente", resumiu Brigitte Bardot, afirmando que seu "amigo", "alter ego" e "cúmplice" deixa "um vazio abismal que nada nem ninguém pode preencher", afirmou em uma mensagem transmitida à AFP.
"Ele não é um ator normal. É um objeto de desejo. Nem sexy nem masculino nem feminino: é uma beleza infernal", destacou o ator Vincent Lindon em um documentário em 2012.
Este magnetismo era ouro para os cineastas e muitos de seus filmes são considerados obras-primas da sétima arte.
Entre eles, "O Sol por Testemunha" de René Clément (1960), que lhe deu uma aura internacional, "Rocco e seus irmãos" (1960), "O Leopardo" (1963), do italiano Luchino Visconti, ou "A piscina" (1969), de Jacques Deray, no qual atua ao lado de Romy Schneider, que foi sua companheira durante anos.
- Um ator samurai -
O cineasta mais importante de sua carreira foi Jean-Pierre Melville, que o dirigiu em clássicos como "O Samurai" (1967) e "O Círculo Vermelho" (1970).
Estes papéis definiram o mito de Delon, que explodiria posteriormente em vários outros filmes policiais: o homem viril e silencioso, forçado a lutar sozinho contra forças que o superam.
Este personagem inspiraria diretores de todo o mundo, como o de Hong Kong John Woo ou o americano Quentin Tarantino, embora o francês nunca tenha se destacado em Hollywood.
A carreira de Delon foi construída paralelamente à de seu amigo Jean-Paul Belmondo. Uma amizade tingida com certa rivalidade, que brilhou em filmes como" Borsalino" (1970) e "Duas Chances em Uma" (1998).
"Ele e eu somos o dia e a noite", escreveu Belmondo em sua autobiografia em 2016.
"Alain, um dia você me disse que sentia falta do meu pai, e hoje é de você que sentiremos muita falta", reagiu Paul Belmondo no Instagram neste domingo.
Idolatrado como ator na França, mas frequentemente criticado por sua personalidade, Delon era próximo do líder de extrema direita Jean-Marie Le Pen e se manifestou em diversas ocasiões a favor da pena de morte ou contra a homossexualidade, que descreveu como "contra a natureza".
E.Rodriguez--AT