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As supermodelos dos anos 1990, as primeiras 'superinfluencers'
Naomi, Christy, Linda e Cindy: quatro nomes que brilharam nas passarelas dos anos 1990 e que mudaram a história da moda... e das mentalidades, como mostra a série "As Supermodelos" da Apple TV.
"Nunca tivemos realmente acesso às suas histórias, pessoais e coletivas, de seu ponto de vista", disse à AFP Larissa Bills, codiretora desta série que estreia na quarta-feira (20).
Hoje, todas elas estão com mais de 50 e "se encontram em um momento mais reflexivo de suas vidas, com uma relação mais aberta e honesta com seu passado", continua.
É a história delas, mas também a de uma indústria, a da moda, em constante transformação.
A britânica Naomi Campbell, de 53 anos; a americana Cindy Crawford, de 57; a canadense Linda Evangelista, de 58 anos; e a também americana Christy Turlington, de 54 anos, são os principais nomes, aos quais podemos acrescentar a alemã Claudia Schiffer, de 53, e a dinamarquesa Helena Christensen, de 54: nomes e rostos que sobreviveram aos anos e ultrapassaram fronteiras.
- Sonhos e oportunidades -
Elas desfilaram para os principais estilistas, foram imortalizadas pelos maiores fotógrafos e encarnaram os rostos das grandes marcas de beleza.
Destaca-se na minissérie o videoclipe da música "Freedom", de George Michael, que as transformou, definitivamente, nas "Supermodelos". Admiradas, glorificadas e (muito) bem remuneradas, elas foram as primeiras "influenciadoras", afirma a estilista Donatella Versace na série.
"Os anos 1990 foram, de certa forma, um período único, em que tudo convergiu: música, arte, moda", explica Larissa Bills.
Todas elas têm uma coisa em comum: origens modestas. Para Linda Evangelista, ser modelo era um sonho. Para as outras três, uma oportunidade.
O mais interessante não está aí, mas como olham para este setor, com frequência marcado por escândalos: dependências, magreza, assédio sexual, cirurgia estética... Diante da câmara, fazem confissões, entre risos e lágrimas.
- Arrependimentos e menopausa -
Naomi não contém as lágrimas, ao falar do estilista franco-tunisiano Azzedine Alaïa, falecido em 2017, que foi seu protetor e a quem ela chama de "pai". A ex-modelo teve seu segundo filho em junho deste ano.
Linda Evangelista também chora, quando fala do ex-marido Gérald Marie, acusado por outras mulheres de estupro e de agressão sexual, antes de ver a denúncia encerrada por prescrição médica no início de 2023. Evangelista também evoca seu câncer de mama e a cirurgia estética (revelada em 2022) que a "desfigurou".
Com o apoio de fotografias de arquivo, a série também dá voz a estilistas, como John Galliano, Marc Jacobs e Donatella Versace. E recorda a amizade do grupo, que levou Linda Evangelista e Christy Turlington a se recusarem a desfilar sem Naomi Campbell, a primeira mulher negra a posar para a capa da Vogue francesa.
As supermodelos também levantam parte do véu sobre sua privacidade e sobre seus erros. Linda Evangelista, por exemplo, lamenta sua célebre frase: "Não me levanto por menos de US$ 10 mil por dia (R$ 48,5 mil na cotação atual)".
A série também conta a história da chegada de novas estrelas às passarelas, como Kate Moss, depois as irmãs Hadid e, mais recentemente, Kaia Gerber... a filha de Cindy Crawford.
Os anos passam, mas as Supermodelos continuam aí.
No início de setembro, elas apareceram orgulhosas na capa das edições americana e britânica da revista Vogue. Uma foto muito comentada... porque seus rostos aparecem "rejuvenescidos".
De qualquer forma, Larissa Bills enfatiza: "Acho que é hora de felicitá-las. Tornar-se o rosto de uma marca aos 16 anos, em um setor que não é nada regulamentado, e ter a carreira que tiveram: é de tirar o chapéu".
M.Robinson--AT