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ONU alerta para risco de obstruções em fase decisiva da COP30
A COP30, celebrada em Belém do Pará, entrou em sua semana decisiva de negociações nesta segunda-feira (17), com o risco de obstruções em temas como adaptação às mudanças climáticas e finanças.
A conferência sobre mudanças climáticas da ONU passa ao nível ministerial nesta segunda-feira. Os representantes das 195 partes negociadoras têm oficialmente cinco dias para fechar um acordo.
"Há uma grande quantidade de trabalho pela frente para os ministros e negociadores. Apelo para que abordem rapidamente os temas mais difíceis", disse o secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Simon Stiell, à assembleia da COP30 em Belém.
"Não podemos nos dar ao luxo de perder tempo com obstruções", acrescentou.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também instou os negociadores a buscarem consensos frente à emergência climática. "O tempo das promessas já passou. Cada fração de grau adicional no aquecimento global representa vidas em risco", disse no plenário.
Três temas bloqueiam as negociações.
Por um lado, China, Índia e outros países aliados querem que a COP30 adote uma decisão contra as barreiras comerciais unilaterais, uma referência ao imposto sobre o carbono da União Europeia às importações de produtos como aço, alumínio e fertilizantes.
Por outro lado, os Estados insulares, apoiados por países da América Latina e europeus, pedem que a COP reaja às últimas más notícias das projeções climáticas e convoque os países a aumentarem seus compromissos atuais.
Mas grandes economias, da China à Arábia Saudita, não querem uma decisão que indique que até agora não estão fazendo o suficiente.
Por fim, muitos países do Sul, especialmente os africanos, querem lembrar aos países desenvolvidos a insuficiência de seus financiamentos para os países em desenvolvimento.
- Manifestação indígena -
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, publicou no domingo uma nota que resume esses pontos de vista divergentes e propõe opções, às vezes contraditórias.
"É sua maneira de apresentar o menu para as negociações finais", analisou para a AFP Li Shuo, especialista da Asia Society presente em Belém.
"A questão, para os ministros, é encontrar um equilíbrio delicado entre esses três temas", acrescentou.
Essa nota de cinco páginas "dá uma ideia do texto de decisão final", acrescenta David Waskow, do World Resources Institute.
O Brasil também quer enviar um sinal sobre a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, embora sua forma exata ainda deva ser esclarecida: será uma decisão da ONU ou uma declaração em separado dos países dispostos a assumir a dianteira neste tema?
Alckmin mencionou, nesta segunda-feira, que o Brasil defende "mapas de ação integrados" para "sair da dependência dos combustíveis fósseis".
A ideia de desenhar um "mapa do caminho" para sair do petróleo, carvão e gás é incentivada também por vários países como França e Colômbia, mas enfrenta oposição de países petrolíferos como a Arábia Saudita.
Nesta segunda, centenas de indígenas também marcharam em Belém para pedir que os combustíveis fósseis sejam deixados para trás, e e especialmente a exploração de petróleo na Amazônia, a maior floresta tropical do planeta.
"Manter a floresta em pé é manter a gente em vida, é manter nosso futuro", disse à AFP João Gabriel Gama, de 20 anos, indígena do povo Kumaruara, do Pará.
Os indígenas criticaram o projeto de exploração de petróleo na bacia da foz do rio Amazonas, aprovado recentemente e apoiado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
P.Smith--AT