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Mãe americana que matou os 3 filhos busca absolvição após ter julgamento anulado
O advogado de Lindsay Clancy, mãe americana acusada de assassinar os três filhos, pediu a um juiz, nesta terça-feira (29), que sua cliente seja absolvida, depois que o júri não chegou a um veredito.
Clancy, de 36 anos, não negou durante o julgamento ter estrangulado Cora, de cinco anos; Dawson, de três; e Callan, de oito meses. Ela sustentou, porém, que sofria de psicose pós-parto, condição que, segundo a defesa, a isentaria de responsabilidade penal.
"Onde estão as provas de que ela fez isso?", perguntou Kevin Reddington, advogado de Clancy, em um tribunal de Massachusetts, durante uma audiência para determinar se haverá um novo julgamento.
Reddington pôs em dúvida as próprias declarações de Clancy de que matou os filhos, em uma possível mudança significativa em relação à linha de defesa baseada em sua saúde mental.
Um júri formado por nove mulheres e três homens não conseguiu chegar a uma decisão unânime em 4 de setembro, como exige a lei americana nos processos penais, o que levou à anulação do julgamento.
Agora, Reddington pede que o juiz declare Clancy inocente, o que encerraria o caso após um julgamento de grande repercussão. "Todo este caso se baseia em conjecturas", disse.
A promotora Jennifer Sprague rejeitou a alegação de falta de provas, classificando-a como um "argumento ridículo".
O juiz William Sullivan adiou a audiência até 2 de novembro e levantou a possibilidade de marcar uma nova data para o julgamento, dependendo de sua decisão sobre o pedido da defesa.
Ele também analisará o pedido da defesa para divulgar informações adicionais sobre as deliberações do júri, que duraram sete dias.
Dos 12 jurados, 11 foram favoráveis a declarar Clancy não culpada por motivo de insanidade mental. Uma jurada discordou e afirmou publicamente que a considera culpada.
O julgamento, no qual mais de 80 testemunhas prestaram depoimento, provocou um debate nos Estados Unidos sobre a saúde mental materna.
O presidente Donald Trump classificou o caso como uma "tragédia horrível" e disse acreditar que haverá outro julgamento.
Clancy, internada em uma instituição psiquiátrica, declarou-se inocente por motivo de insanidade mental e afirmou ter ouvido uma voz que lhe ordenou matar os filhos.
Seus advogados sustentam que isso foi provocado por uma psicose pós-parto, condição que, segundo especialistas médicos, afeta entre uma e duas mulheres a cada 1.000 partos.
Os promotores rejeitaram esse argumento e afirmaram que Clancy planejou cuidadosamente os assassinatos dos filhos e era capaz de compreender as consequências de seus atos.
Após os homicídios na casa da família, em Massachusetts, em janeiro de 2023, Clancy cortou o pescoço e os pulsos e pulou de uma janela do segundo andar, em uma aparente tentativa de suicídio. Ela ficou paralisada da cintura para baixo e passou a usar cadeira de rodas.
bjt/pnb/ad/mel/lm/mvv
Ch.Campbell--AT