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'Perca gordura, ganhe carne bovina': a curiosa campanha contra a obesidade na China
Shu Fangqiang sobe na balança em um centro comunitário de Wuxi, no leste da China. Ele faz parte das centenas de pessoas que se inscreveram no programa de emagrecimento "Perca gordura, ganhe carne bovina".
Com um índice de massa corporal de 30, Shu é considerado obeso de acordo com os critérios nacionais e os da Organização Mundial da Saúde (OMS).
"Com carne bovina ou não, queria perder peso por minha saúde. Esta oportunidade chegou no momento certo, então me inscrevi", conta.
A regra é simples: para cada meio quilo perdido, ele receberá o equivalente em carne bovina desossada, ou um quilo e meio de carne com osso.
Trata-se de uma das iniciativas que estão surgindo com o apoio das autoridades para conter o avanço do sobrepeso e da obesidade. O excesso de peso, com suas consequências (doenças crônicas e aumento dos gastos com saúde), é uma preocupação crescente na China.
Mais de um terço dos adultos chineses (37,5%) estava com sobrepeso em 2022, e 8,3% sofria de obesidade, segundo a OMS.
A China ainda está longe dos Estados Unidos (72,4% de adultos com sobrepeso e 42% obesos, segundo a OMS). No entanto, o fenômeno avança rápido o suficiente para gerar preocupação.
O número de pessoas consideradas obesas triplicou entre 2004 e 2018, detalham dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças.
Se a tendência continuar, a proporção de adultos com sobrepeso ou obesidade poderá chegar a 70,5% até 2030, prevê a Comissão Nacional de Saúde (com base em critérios mais rigorosos do que os da OMS).
- Grupos de apoio -
Durante a semana do programa em março, voluntários pesam, medem e tiram a circunferência da cintura dos participantes. A equipe registra os dados à mão em um formulário que entrega a eles, com um carimbo que os incentiva a continuar seus esforços.
Iniciativas semelhantes surgiram em todo o país e são amplamente divulgadas nas redes sociais.
A rede de supermercados Yonghui, por exemplo, incentiva seus clientes a registrar sua perda de peso durante 10 dias, pesando-se na loja. A cada quilo e meio perdido, podem levar meio quilo de carne bovina, lagostins ou kiwis.
A China, o segundo país mais populoso do mundo, com 1,4 bilhão de habitantes, tem o maior número de adultos com sobrepeso: 402 milhões de pessoas, segundo um estudo publicado na revista médica The Lancet em 2025. Em 1982, apenas 7% dos chineses estavam acima do peso, de acordo com um livro publicado em 2010.
No centro comunitário de Wuxi, a equipe propõe aos participantes que entrem em um grupo específico no aplicativo de mensagens instantâneas WeChat.
Ao longo de vários meses, os membros do grupo trocam conselhos e se incentivam mutuamente a emagrecer. Depois, em janeiro de 2027, os participantes voltarão a se pesar. Aqueles que tiverem perdido muito peso poderão escolher cortes selecionados de carne, cuja quantidade total está limitada a 10 quilos.
Zheng Haihua, de 44 anos, afirma que se inscreveu para se obrigar a "mexer-se mais e comer menos". "O mais difícil para mim é controlar o apetite, porque, quando vejo comida deliciosa, tenho dificuldade em resistir", admite.
A médica local Wu Changyan entende bem. "A pressão do dia a dia e o conforto moderno nos empurram a comer mais e em excesso", ressalta.
Li Sheyu, professor clínico no Hospital da China Ocidental da Universidade de Sichuan, não acredita que este tipo de iniciativa "vá mudar fundamentalmente a situação". Para ele, não passam de uma variante dos incentivos clássicos para cuidar da forma física.
"Mas é uma boa forma de difundir entre o público ideias sobre a perda de peso", destaca.
W.Morales--AT