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França investiga morte de bebês após consumo de fórmula infantil
A Justiça da França investiga a morte de dois bebês que consumiram uma fórmula infantil da Nestlé, retirada do mercado por "possível contaminação", anunciaram autoridades nesta quinta-feira (22).
Semanas atrás, a gigante suíça da indústria alimentícia começou a recolher fórmulas infantis das marcas Guigoz e Nidal, devido à possível presença da bactéria "Bacillus cereus", que pode provocar diarreia e vômitos, às vezes com complicações graves. Esses produtos são investigados por dois tribunais, nas cidades de Bordeaux e Angers.
No primeiro caso, o bebê que morreu consumiu entre 5 e 7 de janeiro a fórmula da marca Guigoz, informou Renaud Gaudeul, procurador de Bordeaux. Nascido em 25 de dezembro, ele foi levado às pressas para o hospital no dia 7, após a mãe observar "problemas digestivos", e morreu no dia seguinte.
As primeiras análises solicitadas "determinaram a ausência de contaminação pela bactéria, mas testes complementares foram solicitados, informou o procurador.
O outro caso surgiu a partir da denúncia feita há dois dias por uma mulher pela morte de um bebê de 27 dias em 23 de dezembro. Ela contou aos investigadores que sua filha havia ingerido a fórmula da marca Guigoz, informou o promotor de Angers, Eric Brouillard.
"É uma pista séria (...) É muito cedo para dizer que é a pista principal", ressaltou Brouillard, que solicitou com urgência os serviços de um laboratório.
Nas últimas semanas, tanto a Nestlé quanto a francesa Lactalis, líder mundial do setor lácteo, recolheram lotes de fórmula infantil em vários países, incluindo Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru e Uruguai. Segundo o Ministério da Agricultura da França, as retiradas se devem a "uma matéria-prima fornecida por um mesmo produtor na China".
De acordo com a associação Foodwatch, trata-se de um dos poucos fornecedores no mundo de ácido araquidônico, uma substância sintética fortemente regulamentada na Europa e que integra a composição de algumas fórmulas infantis, por ser fonte de ômega-6.
A ONG anunciou ontem que apresentará uma denúncia para "lançar luz" sobre essas retiradas, afirmando que "milhões de bebês no mundo foram afetados".
Ch.Campbell--AT