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EUA reduz número de vacinas recomendadas para crianças
O governo dos Estados Unidos reformou, nesta segunda-feira (5), o calendário federal de vacinas pediátricas do país, deixando de recomendar que todas as crianças sejam imunizadas contra seis doenças, entre elas a influenza.
A mudança drástica foi anunciada pelo Departamento de Saúde do país, dirigido por Robert F. Kennedy Jr., um cético em relação às vacinas, e representa uma profunda alteração após anos de recomendações respaldadas pela ciência.
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) recomendarão agora que as doses contra hepatite A, hepatite B e doença meningocócica sejam aplicadas apenas a pessoas de alto risco ou por recomendação médica, e não como prática padrão.
A agência já havia recomendado essa mesma mudança de modelo para as vacinas contra a covid-19.
No fim de 2024, os CDC recomendavam 17 imunizações pediátricas para todas as pessoas, segundo a agência. Agora esse número caiu para 11.
Trump elogiou as mudanças ao indicar que as "MAHA Moms", uma base de influenciadores on-line que apoiam fervorosamente a agenda de Kennedy, "têm orado por essas reformas de bom senso há muitos anos".
A mensagem de Trump sobre a reestruturação do calendário foi posterior a uma publicação na rede Truth Social repleta de afirmações falsas sobre a segurança das vacinas e recomendações que contradizem o consenso científico.
Além disso, a decisão chega após a diretriz de Trump emitida no mês passado para que as autoridades de saúde comparassem o calendário de vacinas dos Estados Unidos com o de outros países, e se concentraram especialmente na Dinamarca.
As novas recomendações agora se assemelham mais ao calendário do país escandinavo.
"Depois de uma revisão exaustiva das evidências, estamos alinhando o calendário de vacinação infantil dos Estados Unidos com o consenso internacional, ao mesmo tempo que fortalecemos a transparência e o consentimento informado. Esta decisão protege as crianças, respeita as famílias e reconstrói a confiança na saúde pública", declarou Kennedy.
Mas especialistas em medicina e saúde pública já criticam a reforma.
Sean O'Leary, presidente do Comitê de Doenças Infecciosas da Academia Americana de Pediatria, disse a jornalistas que "o calendário de vacinação infantil é uma das ferramentas mais pesquisadas que temos para proteger as crianças de doenças graves, às vezes fatais".
- 'Decisões baseadas em evidências' -
Cada estado tem autoridade para definir planos obrigatórios de vacinação, mas as recomendações dos CDC exercem influência significativa sobre as políticas estaduais.
Autoridades já indicaram que tanto o acesso quanto a cobertura dos seguros para as vacinas permanecerão iguais, mesmo para aquelas que não são amplamente recomendadas pelo governo federal.
"Todas as vacinas atualmente recomendadas pelos CDC continuarão cobertas pelo seguro sem custos compartilhados", afirmou Mehmet Oz, administrador dos Centros de Serviços do Medicare e Medicaid, os programas federais de seguro de saúde.
"Nenhuma família perderá acesso. Esse arcabouço fortalece pais e médicos a tomar decisões individualizadas dependendo do risco, ao mesmo tempo que mantém forte proteção contra doenças graves", disse.
Para O'Leary, no entanto, "é importante que qualquer decisão sobre o calendário de vacinação infantil nos Estados Unidos esteja baseada em evidências, transparência e processos científicos estabelecidos, não em comparações que ignoram diferenças críticas entre países ou sistemas de saúde".
Autoridades em saúde pública alertam que as mudanças apenas semearão dúvida e confusão, especialmente porque o ceticismo em relação às vacinas aumentou desde a pandemia.
A mudança "torna as coisas mais confusas para pais e clínicos", apontou O'Leary. "Lamentavelmente, já não se pode confiar em nosso governo federal" para fornecer recomendações sobre vacinas, acrescentou.
N.Walker--AT