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Apesar da força militar, Arábia Saudita não consegue derrotar os houthis
A Arábia Saudita dispõe de grandes recursos financeiros e armas de última geração, mas há mais de uma década não consegue derrotar os houthis do Iêmen.
O grupo, apoiado pelo Irã, conseguiu atingir Riade com mísseis, tomar o controle de toda a costa iemenita do Mar Vermelho e bloquear as exportações de petróleo saudita.
Analistas apontam que a Arábia Saudita tem dificuldades para combater os houthis, em parte, por sua dependência de forças locais pouco eficazes e porque o terreno acidentado e o apoio iraniano têm favorecido os combatentes antigovernamentais.
Por que a Arábia Saudita enfrenta dificuldades?
A Arábia Saudita, que historicamente depende de agentes, terceirizados e instrutores estrangeiros para complementar suas Forças Armadas, gasta bilhões na aquisição de armamento sofisticado e material militar. Na semana passada, os Estados Unidos aprovaram a venda de 48 aviões de combate F-35 por 24,3 bilhões de dólares.
Apesar de seu enorme arsenal, o Exército saudita tem uma experiência relativamente limitada na condução autônoma de operações de combate.
"Os sauditas precisam construir um Exército disposto a lutar e uma população disposta a morrer para preservar o que têm", afirmou Bernard Haykel, especialista da Universidade de Princeton, em um debate na internet. "E isso não é o que eles têm neste momento".
Os analistas destacam que as Forças Armadas sauditas são deliberadamente pequenas e fragmentadas para evitar um golpe de Estado em uma região propensa a levantes militares.
"A Arábia Saudita é o único lugar onde a monarquia não foi derrubada pelos militares, porque mantém um Exército fraco", destacou o especialista em Oriente Médio Ray Takeyh diante de uma comissão do Congresso dos Estados Unidos em 2015.
Por que os houthis são tão difíceis de derrotar?
Os houthis, inicialmente com poucas armas, aproveitam seu conhecimento do terreno e seus vínculos tribais para construir defesas muito difíceis de desmantelar.
Com o passar dos anos, o grupo acumulou um arsenal avançado de mísseis e drones com o apoio do Irã. Também permaneceu unido, ao contrário do governo do Iêmen.
"Os houthis foram capazes de construir uma frente unida", ressalta Thomas Juneau, especialista em Irã e Iêmen da Universidade de Ottawa.
"Eles têm um governo altamente centralizado, que exerce um forte comando e controle sobre o que inicialmente eram forças díspares que eles reuniram", disse à AFP.
Desde 2023, o grupo demonstra sua capacidade de dificultar o tráfego no Mar Vermelho com ataques contra navios que acusa de vínculos com Israel após a guerra de Gaza.
E o governo do Iêmen?
A Arábia Saudita entrou na guerra do Iêmen em 2015 ao lado de seu aliado, Emirados Árabes Unidos, para apoiar um governo que os houthis expulsaram da capital, Sanaa, um ano antes.
Em dezembro de 2025, forças apoiadas pelos Emirados Árabes Unidos tomaram brevemente o controle de todas as áreas sob domínio governamental, provocando a indignação da Arábia Saudita e desencadeando uma disputa entre os dois aliados que ainda persiste.
Por fim, os Emirados retiraram suas tropas e equipamentos, incluindo helicópteros de combate, das zonas próximas à costa do Mar Vermelho, mas os sauditas não foram capazes de preencher o vazio.
"Um golpe duro e uma coordenação frágil com os iemenitas: isso provocou o colapso atual", declarou à AFP o especialista em Oriente Médio Michael Knights.
Segundo a imprensa americana, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, pediu reiteradamente ao presidente Donald Trump ajuda para conter os houthis, até agora sem sucesso.
A.Ruiz--AT