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ONU acusa Israel de 'possível limpeza étnica' em campos de refugiados na Cisjordânia
O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos acusou Israel, nesta sexta-feira (4), de ter deslocado à força mais de 33 mil palestinos de três campos na Cisjordânia em 2025 e o considera um possível crime contra a humanidade e limpeza étnica.
Israel negou. Seus representantes em Genebra acusaram, no X, o Alto Comissariado de "deixar de lado a imparcialidade, a independência e a neutralidade para se tornar o epicentro de um abominável ativismo".
Em um novo relatório, o Alto Comissariado conclui que as forças de segurança israelenses deslocaram à força toda a população palestina de três campos de refugiados na Cisjordânica ocupada entre janeiro e fevereiro de 2025 e continuam impedindo que retornem.
Cita os campos de Jenin, Tulkarem e Nur Shams.
"O deslocamento em grande escala, prolongado e sistemático (...) levanta graves preocupações sobre a possível prática do crime contra a humanidade de transferência forçada", acrescentou.
"O recurso a ataques aéreos, tratores blindados e detonações controladas para tornar campos inteiros inabitáveis, forçar seus habitantes a se deslocarem e impedir seu retorno, na ausência de uma necessidade militar imperiosa, não é autorizado pelo direito internacional, parece construir uma forma de castigo coletivo e suscita preocupações sobre uma possível limpeza étnica", insiste.
Em 23 de fevereiro de 2025, Israel anunciou que o Exército havia deslocado os habitantes de três campos de refugiados da Cisjordânia, um território ocupado desde 1967, e que tinha ordens de impedir seu retorno.
Batizada de "Muro de Ferro", esta operação foi lançada em 21 de janeiro, 48 horas após um frágil cessar-fogo na Faixa de Gaza entrar em vigor.
Estes três campos fazem parte dos 19 da Cisjordânia e são administrados pela agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA), segundo o Alto Comissariado.
A maneira como a operação foi realizada sugere que "tinha como objetivo expulsar o maior número possível de palestinos e abrir espaço para mais colônias israelenses ilegais", declarou o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, citado no comunicado.
T.Sanchez--AT