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EUA busca ampliar isolamento do Irã em reunião de ministros das Finanças do G20
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, prometeu, nesta segunda-feira (31), manter a pressão econômica sobre o Irã, no início de uma reunião dos ministros das Finanças dos países do G20 marcada pela guerra e pelas tensões comerciais.
O governo do presidente Donald Trump tentará convencer seus parceiros do G20 para reforçarem a pressão econômica sobre o Irã durante as conversas em Asheville, Carolina do Norte, que se estenderão até terça-feira em meio a uma retomada de ataques mútuos com Teerã.
"Vamos continuar pressionando, e já tivemos conversas muito boas aqui", disse Bessent à imprensa antes do início da reunião ao pé dos Apalaches, no leste do país.
Ele indicou que um ponto de virada na campanha de pressão americana pode chegar "em questão de semanas ou meses", acrescentando que não é necessário que a economia iraniana entre em colapso na guerra do Oriente Médio para que isso aconteça.
A primeira troca de ataques entre Estados Unidos e Irã em um mês paira sobre as reuniões enquanto os líderes chegavam ao complexo montanhoso Omni Grove Park Inn na manhã desta segunda-feira.
A União Europeia defendeu "prosseguir os esforços diplomáticos" a fim de alcançar um acordo de paz e saudou as iniciativas destinadas a levar o Irã a pôr fim a suas "atividades desestabilizadoras e participar de negociações de paz de boa-fé", também por meio da pressão econômica liderada pelos Estados Unidos.
O ministro das Finanças da França, Roland Lescure, disse a jornalistas que ouviriam os planos americanos. "Todos temos que trabalhar nisso. Os Estados Unidos têm uma visão de como reforçar as sanções. Vamos discutir com eles se podemos ajudar nesse aspecto", afirmou.
O secretário do Tesouro americano conduzirá as discussões ao lado do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh.
Washington, que ocupa neste ano a presidência do grupo das maiores economias mundiais, espera concentrar as conversas em alternativas para estimular o crescimento e a desregulamentação, além de reduzir os "desequilíbrios" comerciais.
A guerra no Oriente Médio, iniciada pelos Estados Unidos há seis meses e que provocou uma crise energética e a disparada dos preços em todo o mundo, também estará na pauta.
- Tarifas -
Outro foco de tensão é a ofensiva tarifária de Trump. Embora a Suprema Corte tenha derrubado a maioria de suas tarifas, o governo americano continua buscando impor novas taxas sobre produtos importados e retomou as hostilidades comerciais com o Canadá.
"Agora que estamos em uma guerra comercial com o Canadá, não há unidade no G7. E sem unidade no G7, é difícil chegar ao G20 e ter discussões delicadas", disse à AFP Josh Lipsky, pesquisador do centro de estudos Atlantic Council.
"Acredito que a maioria dos países ouvirá [os Estados Unidos] respeitosamente, mas permanecerá cautelosa diante dos desafios macroeconômicos tanto em seus próprios países quanto nos Estados Unidos", acrescentou, referindo-se à persistência da inflação e à recente alta dos juros da dívida pública.
O G20 foi criado após a crise financeira asiática de 1997-1998 para fortalecer a economia global e a estabilidade financeira. O grupo reúne 19 países, além da União Europeia e da União Africana.
- Jornalistas excluídos -
A África do Sul foi excluída das reuniões deste ano pelo governo americano, que acusa regularmente Pretória, sem apresentar provas, de perseguir agricultores brancos.
O Brasil, que mantém relações tensas com Trump devido aos atritos do presidente americano com Luiz Inácio Lula da Silva, não enviou seu ministro da Fazenda.
A Polônia, embora não seja membro permanente, foi convidada por Washington, enquanto a Rússia deve ser representada por um enviado do Ministério das Relações Exteriores.
Um funcionário europeu, que falou sob condição de anonimato, criticou o fato de o país, em guerra com a Ucrânia desde 2022, não ter sido excluído deste encontro do G20.
Veículos como Bloomberg e The New York Times afirmaram, por sua vez, não ter recebido credenciais para a reunião.
O ciclo de reuniões do G20 terminará em meados de dezembro com uma cúpula de chefes de Estado na Flórida, no complexo de golfe de Trump em Miami.
K.Hill--AT