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Juiz rejeita confissões de suposto autor intelectual do 11/9 (NYT)
Um juiz militar dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (28) que as confissões do suposto autor intelectual dos atentados do 11 de Setembro a agentes do FBI são inadmissíveis e não podem ser usadas contra ele em julgamento, informou o jornal The New York Times.
A decisão foi anunciada pouco antes do 25º aniversário dos ataques, que deixaram quase 3 mil mortos em Nova York, Washington e na Pensilvânia. Nesta semana, o julgamento de Khalid Sheikh Mohammed e outros três réus foi marcado para 5 de junho de 2028, na base naval americana de Guantánamo, em Cuba, onde ele está preso desde 2006.
Antes da captura de Mohammed, em 2003, no Paquistão, ele era considerado um dos principais representantes do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden. Os promotores já haviam excluído as declarações que ele deu após ser preso, quando esteve sob custódia da CIA em prisões no exterior e foi submetido a um tratamento brutal, informou o jornal.
O tenente-coronel Michael Schrama, juiz do caso, concluiu que os interrogatórios posteriores de Mohammed, em 2007 em Guantánamo, também são inadmissíveis. "A promotoria não conseguiu mostrar, com base na preponderância das provas, que as declarações de Mohammed ao FBI foram dadas voluntariamente", escreveu Schrama em sua decisão, que não foi publicada.
Segundo o New York Times, o conteúdo não classificado da decisão foi confirmado por advogados que tiveram acesso a ela. O tribunal não respondeu ao contato feito pela AFP.
Schrama citou uma "continuação ininterrupta do condicionamento psicológico e da coerção severa por parte da CIA". Também concluiu que os agentes do FBI omitiram deliberadamente de Mohammed que ele tinha direito a permanecer em silêncio e a consultar um advogado. Os promotores podem recorrer da decisão.
O julgamento foi adiado várias vezes e um acordo de culpabilidade que teria descartado a condenação à pena de morte foi revogado no ano passado, após protestos de familiares de vítimas do 11 de Setembro.
Grande parte das disputas legais nos casos dos acusados pelos ataques se concentrou em se eles poderiam ter um julgamento justo após terem sido submetidos a tortura pela CIA.
Th.Gonzalez--AT