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Reino Unido reafirma apoio à Ucrânia antes de reunião dos aliados em Kiev
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, se comprometeu nesta segunda-feira (24) a continuar ajudando a Ucrânia, apesar das "escandalosas ameaças" russas contra seu país, antes de uma reunião dos aliados europeus de Kiev para discutir seu apoio militar.
A reunião da "Coalizão de Voluntários", realizada no dia do 35º aniversário da proclamação da independência da Ucrânia, será copresidida por Reino Unido, França e Alemanha.
Em sua primeira viagem internacional desde que assumiu o cargo de primeiro-ministro britânico, Andy Burnham desembarcou em Kiev, assim como o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Durante um discurso ao lado do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, Burnham se comprometeu a continuar ajudando Kiev, apesar das "escandalosas ameaças" russas contra o Reino Unido.
A Ucrânia "não é um fardo para nossa segurança, e sim a linha de frente que protege a Europa", afirmou, comparando o confronto com aquele travado contra a Alemanha nazista.
Espera-se que Burnham anuncie a autorização para que a empresa de defesa MBDA compartilhe informações confidenciais que permitam à Ucrânia produzir localmente o míssil de cruzeiro de longo alcance franco-britânico SCALP.
Por sua vez, a Rússia acusou o Reino Unido de estar "impedindo o mínimo avanço no processo de paz" ao facilitar informações e assegurou que seu Exército atacará e "destruirá" as instalações que produzirem o míssil.
A Ucrânia pretende adquirir mais sistemas de armamento para acelerar sua própria campanha de ataques de longo alcance contra instalações energéticas e logísticas russas, incluindo refinarias de petróleo e depósitos de distribuição.
Durante a noite, armazéns de uma plataforma de comércio eletrônico foram atingidos no sul da Rússia. A queda dos escombros perto de um deles causou a morte de duas crianças e feriu outras sete, segundo as autoridades locais.
Nas últimas semanas, as forças russas lançaram contra Kiev ondas de mísseis balísticos que deixaram dezenas de mortos.
O presidente russo, Vladimir Putin, assumiu no sábado a intensificação dos ataques contra o território ucraniano.
Kiev "abriu a caixa de Pandora" ao atacar a economia russa e, em resposta, Moscou prevê como alvos, entre outras coisas, as exportações agrícolas ucranianas, afirmou.
- "Não cederemos" -
Outros governantes, como o presidente francês, Emmanuel Macron, participarão por vídeo das discussões, que acontecem em um cenário de intensificação da guerra, quatro anos e meio após a invasão russa, em 24 de fevereiro de 2022.
A "Coalizão de Voluntários", criada por iniciativa franco-britânica para reunir países dispostos a enviar forças de paz à Ucrânia em caso de cessar-fogo, virou um fórum de apoio aos ucranianos diante da incerteza sobre o apoio dos Estados Unidos a Kiev durante a presidência de Donald Trump.
Após os ataques, Zelensky fez um apelo aos aliados de seu país para que reforcem as defesas aéreas de Kiev.
"A Rússia não deve ter qualquer dúvida sobre a nossa determinação", afirmou Burnham antes de chegar a Kiev. "Não cederemos até que seja estabelecida uma paz justa e duradoura", acrescentou.
A União Europeia (UE) anunciou nesta segunda-feira um novo pacote de ajuda de 6,1 bilhões de euros (7,1 bilhões de dólares, 36 bilhões de reais) para a Ucrânia, com o objetivo de fortalecer sua defesa antiaérea e aumentar seus estoques de mísseis e munições.
Por sua vez, Emmanuel Macron prometeu no sábado que o país entregaria a Kiev novos mísseis interceptadores.
Os mísseis balísticos lançados pela Rússia são extremamente rápidos e seguem uma trajetória parabólica em grande altitude que dificulta sua interceptação.
As armas de fabricação ucraniana não permitem interceptá-los, o que significa que Kiev depende de sistemas avançados procedentes do exterior, em especial os Patriot americanos.
Zelensky disse que a Rússia consegue produzir quase 100 mísseis balísticos por mês.
Contudo, o presidente ucraniano declarou que os envios de mísseis Patriot diminuíram, afirmando que a Ucrânia recebeu 675 mísseis Patriot em 2023, contra 364 em 2025 e 264 em 2026.
Os Estados Unidos enfrentam uma escassez destes mísseis devido à guerra contra o Irã e, por isso, relutam em fornecer grandes quantidades à Ucrânia.
Segundo a ONU, as mortes de civis na guerra entre Rússia e Ucrânia atingiram os níveis mais elevados desde os primeiros meses da invasão.
E os esforços diplomáticos para acabar com o pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial estão estagnados.
A Rússia exige amplas concessões territoriais que a Ucrânia se recusa a aceitar, por considerar que isso apenas abriria caminho para novos ataques.
N.Mitchell--AT