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Brasil e EUA vão retomar diálogo sobre tarifas, afirma Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (21) que Brasil e Estados Unidos vão retomar o diálogo sobre as tarifas comerciais, após conversar por telefone com o colega Donald Trump.
Lula telefonou hoje para o presidente americano, depois que os Estados Unidos impuseram no mês passado duas novas rodadas de tarifas sobre produtos do Brasil, sob o argumento de que o país comete falhas em áreas como desmatamento, propriedade intelectual e combate à corrupção.
O presidente brasileiro disse a Trump que as tarifas são "infundadas" e que manter as negociações é "a melhor opção para os dois países", informou a Presidência brasileira, segundo a qual a conversa durou uma hora e vinte minutos e foi conduzida em tom "amistoso" e "cordial".
Durante um ato de campanha em Minas Gerais, Lula disse que Trump pediu hoje ao seu representante comercial que telefonasse para o ministro brasileiro do Comércio Exterior, e que eles marcaram uma reunião. O presidente acrescentou que Trump "reconheceu" durante o telefonema seus argumentos segundo os quais as tarifas contra o Brasil foram baseadas "na mentira".
Lula acusou recentemente os Estados Unidos de tentar interferir nas eleições de outubro, nas quais o presidente enfrentará seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, um aliado de Trump.
Uma fonte do governo brasileiro informou que a questão eleitoral não foi mencionada na conversa, embora Lula tenha afirmado a Trump que o sistema eleitoral brasileiro é confiável, diante de uma pergunta genérica do presidente americano sobre a disputa.
Em um eventual segundo turno, Lula teria 47% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro, segundo uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta sexta-feira.
- Sem interferência -
Durante o telefonema, o presidente brasileiro reiterou sua recusa em designar as duas principais facções criminosas do país - Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) - como organizações terroristas. Washington atribuiu essa designação a ambos os grupos em maio.
Esses "grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas", diz o comunicado de Brasília. Lula ressaltou que seu governo defende outros métodos para acabar com esses grupos, como asfixiá-los financeiramente.
"Eu falei: 'Ô, Trump, se você quer combater o crime organizado (...) nós queremos trabalhar juntos. O que não queremos é interferência no Brasil'", relatou o presidente, durante o ato em Minas Gerais.
A insegurança é uma das principais preocupações dos brasileiros. Flávio Bolsonaro defende a importação do modelo de linha dura do presidente salvadorenho, Nayib Bukele. O senador afirma que pediu pessoalmente a Trump que designasse o PCC e o CV como terroristas dias antes de os Estados Unidos tomarem essa decisão.
H.Romero--AT