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Epidemia de ebola na RD Congo avança de 'forma exponencial', diz ONU
A epidemia de ebola já provocou mais de 2.500 mortes na República Democrática do Congo (RDC) e "avança de forma exponencial", alertou nesta sexta-feira (21) Julien Harneis, principal coordenador da ONU para o combate à doença.
"A epidemia de ebola avança de forma exponencial. A epidemia se espalha amplamente: agora cobre uma superfície maior que a da França", disse Harneis em Bunia (RDC), em uma entrevista coletiva transmitida na cidade suíça de Genebra.
Até o momento, a epidemia deixou "mais de 2.500 mortos", metade deles "nos últimos 20 dias", acrescentou.
"O avanço supera a rapidez da nossa resposta, se intensifica e expande mais rapidamente do que os esforços empreendidos em toda a região", ressaltou.
Em apenas três meses, a epidemia já superou a ocorrida entre 2018 e 2020 no leste da RDC, considerada até então a mais letal da história do país, com 2.299 mortos em 3.381 casos confirmados, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) baseados nos números divulgados pelas autoridades congolesas.
Além disso, nos três meses do surto, a RDC registrou sete vezes mais casos e cinco vezes mais mortes do que nos três primeiros meses da maior epidemia de ebola da história, que provocou mais de 11.300 mortes na África Ocidental entre 2014 e 2016, segundo a agência de saúde da União Africana.
O ebola, que é transmitido por contato com fluidos corporais e provoca uma febre hemorrágica, matou mais de 15.000 pessoas na África nos últimos 50 anos.
- Risco para os países vizinhos -
Não existe uma vacina ou tratamento específico aprovado contra a cepa Bundibugyo, responsável pelo atual surto, apesar dos ensaios clínicos em curso.
Nesta semana foi aprovado o envio à RDC de um lote de 70.000 doses da vacina Ervebo, homologada para o tratamento contra outra cepa do vírus, Zaire, para avaliar sua eficácia contra a variante Bundibugyo.
A resposta de saúde na RDC é criticada por sua lentidão e falta de organização. Também enfrenta a desconfiança de parte da população.
O coordenador da ONU lembrou que 43 agentes de saúde morreram devido ao vírus e outros foram atacados quando estavam a bordo de ambulâncias ou em instalações de saúde.
"A ordem pública está abalada e os serviços básicos, em particular os de saúde, foram fragmentados. As condições de intervenção são extremamente difíceis", destacou o especialista, em referência a uma região dominada por vários grupos armados.
"A epidemia continua se propagando em um ritmo que a resposta não consegue acompanhar", enfatizou, por sua vez, em um comunicado publicado em Genebra, Javid Abdelmoneim, presidente internacional da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF).
"A resposta exige muito mais do que leitos adicionais. Exige um diagnóstico melhor, o isolamento seguro das pessoas doentes e de seus contatos, além de apoio aos profissionais da saúde", acrescentou.
Harneis também destacou a necessidade de intensificar a resposta e insistiu que, "se reforçarmos as equipes e transferirmos mais recursos para as áreas remotas do leste da República Democrática do Congo, poderemos, em alguns meses, desacelerar a transmissão e conseguir acabar com ela".
"Se não fizermos isso (...) esta epidemia será ainda mais letal. Ela se propagará mais e corre o risco de se estender aos países vizinhos", advertiu.
F.Wilson--AT