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Universidade belga suspende acadêmico após acusações a falecido ex-professor de Cambridge
Uma universidade belga suspendeu, nesta quinta-feira (20), um acadêmico americano que liderou as acusações de plágio contra Jason Arday, um ex-professor negro de Cambridge que foi encontrado morto na semana passada após se demitir devido ao escândalo.
"Acabo de ser suspenso pela Universidade de Ghent. Quase com toda certeza serei demitido", publicou no X o pesquisador Nathan Cofnas, que se define como "realista racial" e que já havia sido demitido de seu cargo em Cambridge há dois anos.
A Universidade de Ghent declarou em um comunicado, sem mencionar Cofnas, que abriu uma "investigação disciplinar preliminar" contra um pesquisador de pós-doutorado envolvido na polêmica e o suspendeu "como medida cautelar".
Arday, que em 2023 se tornou o professor negro mais jovem da história de Cambridge, foi encontrado morto na sexta-feira, aos 41 anos.
Ele enfrentava acusações crescentes de ter plagiado partes de sua tese de doutorado e exagerado conquistas de sua vida pessoal. Diagnosticado com autismo e outras dificuldades de desenvolvimento durante a infância, Arday negou as acusações contra ele.
Contudo, pediu demissão em 5 de agosto e escreveu em sua carta de renúncia que havia "atingido os limites do que razoavelmente se pode exigir que qualquer pessoa suporte".
As dúvidas sobre um possível plágio surgiram vários anos antes, mas não avançaram naquele momento. Um jornalista chegou a desistir de continuar investigando depois que o professor ameaçou tomar medidas legais.
No entanto, no mês passado Cofnas afirmou ter encontrado diversos casos de plágio nos trabalhos do professor, e o caso ganhou força, recebendo ampla cobertura da imprensa no Reino Unido e nos Estados Unidos.
A mídia britânica e comentaristas de direita aproveitaram a polêmica para afirmar que Arday havia se beneficiado injustamente das políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI).
A Universidade de Ghent indicou que agora está "avaliando" se há motivos suficientes para iniciar um processo disciplinar completo contra o pesquisador.
Em um comunicado anterior, divulgado na quarta-feira, a instituição afirmou estar "consternada" pela morte de Arday e afirmou que levava "muito a sério" as declarações públicas feitas por seu pesquisador sobre o ex-professor.
"A Universidade de Ghent defende o respeito pela dignidade humana e se opõe à discriminação, ao ódio e ao racismo", afirmaram a reitora, Petra De Sutter, e o vice-reitor, Herwig Reynaert, no comunicado.
"Atribuímos grande importância à liberdade acadêmica e ao debate acadêmico aberto, mesmo quando as opiniões são controversas. No entanto, essa liberdade não é ilimitada. Ela vem acompanhada de responsabilidade e pode ser restringida para proteger os direitos dos outros", acrescentaram.
W.Stewart--AT