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Netanyahu e Kushner cogitam desarmar Hamas com supervisão militar dos EUA
O enviado dos Estados Unidos e genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, discutiram, nesta segunda-feira (17), a possibilidade de os Estados Unidos supervisionarem o desarmamento do movimento islamista Hamas, afirmou uma autoridade israelense.
O encontro ocorreu em um momento em que Washington tenta reduzir as divergências entre Israel e o movimento palestino Hamas sobre a implementação do plano de paz promovido por Trump.
Kushner se reuniu com Netanyahu, seu amigo há muitos anos, em Jerusalém, um dia depois de um encontro incomum com uma delegação do Hamas no Egito, onde o grupo islamista se comprometeu publicamente com o plano de paz e com o desarmamento.
As duas partes "concordaram que não haverá nenhum reposicionamento ou reconstrução na Faixa de Gaza antes que o Hamas tenha se desarmado em Gaza", declarou à AFP uma autoridade israelense de alto escalão.
Além disso, "concordaram que a primeira etapa para a desmilitarização da Faixa [de Gaza] consistiria em pedir ao Hamas que entregue suas armas para que sejam desmanteladas sob a supervisão de um general americano", afirmou a autoridade.
Um rascunho acordado pelo Hamas em 30 de julho estabelecia que o desmantelamento das armas do Hamas seria supervisionado pela Força Internacional de Estabilização, uma estrutura em processo de criação destinada a ser enviada para Gaza se a situação se acalmar. Ela é dirigida pelo general de divisão americano Jasper Jeffers.
O Hamas havia se comprometido a entregar suas armas a um novo órgão de governo palestino, um acordo que despertou ceticismo por parte de Netanyahu, mas que Trump qualificou como um avanço decisivo.
Um funcionário do Conselho da Paz de Trump, responsável pela aplicação do acordo, afirmou que "cada arma recolhida será completamente desmantelada para que não possa voltar a ser utilizada" e ressaltou que Israel "mantém seu pleno direito à autodefesa".
"Se o Hamas recorrer ao terrorismo, à violência ou tentar se rearmar, Israel manterá seu direito de agir em conformidade", disse o funcionário.
Kushner esteve acompanhado nas conversas por outros integrantes do Conselho da Paz, criado por Trump para Gaza, incluindo o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
Durante a reunião com integrantes do Hamas no Egito, o enviado americano insistiu no desarmamento total do movimento palestino e em sua exclusão de qualquer papel no futuro governo de Gaza, segundo fontes próximas às conversas.
Um alto dirigente do Hamas afirmou que o grupo, representado por seu novo líder Khalil al Hayya, manifestou a Kushner seu compromisso com o plano para Gaza.
- Retórica dura -
Netanyahu, que enfrentará eleições acirradas em outubro, segundo as pesquisas, tem demonstrado uma disposição cada vez maior em desafiar Trump, cujo apoio tem destacado reiteradamente em sua campanha.
O primeiro-ministro também manifestou descontentamento com a decisão do republicano de interromper a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no fim de fevereiro, e buscar, em vez disso, um acordo com os dirigentes de Teerã.
Em uma entrevista, Itamar Ben Gvir, ministro da Segurança Nacional de extrema direita do governo Netanyahu, defendeu assassinatos em Gaza.
"Acho que deveriam ser realizados assassinatos seletivos em Gaza todas as noites. Eliminando 30 ou 40", declarou Ben Gvir em um podcast com um ex-refém de Gaza.
"Não apenas aqueles que representam uma ameaça atualmente. São pessoas que não deveriam estar vivas", acrescentou. "Estou fazendo um elogio ao chamá-los de seres humanos", completou.
Em tom mais conciliador, o presidente de Israel, Isaac Herzog, que possui um papel meramente protocolar, elogiou os "esforços do Conselho da Paz para garantir um futuro mais promissor e seguro" para Israel, Gaza e a região.
Hamas e Israel se acusam mutuamente de violar o cessar-fogo alcançado em outubro de 2025, com mediação dos Estados Unidos, no território palestino.
Ao menos 1.262 palestinos morreram em operações israelenses desde a entrada em vigor da trégua, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, governado pelo Hamas. As Nações Unidas consideram esses dados confiáveis.
O Exército israelense registrou cinco mortes entre seus integrantes no mesmo período.
T.Perez--AT