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Trump ordena redução de exercícios militares com Coreia do Sul horas antes do início
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou a redução dos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul poucas horas antes de seu início, nesta segunda-feira (17), por considerar que as manobras enviam um sinal "inadequado e hostil" diante de sua boa relação com o líder norte-coreano, Kim Jong Un.
Os exercícios denominados Escudo de Liberdade Ulchi "estão acontecendo segundo o planejado", indicou o Ministério da Defesa sul-coreano em um breve comunicado.
Trump criticou no domingo em sua plataforma Truth Social os exercícios por serem não apenas caros, mas também por enviarem "um sinal totalmente inadequado e hostil" à Coreia do Norte, país que, segundo ele, tem se mostrado respeitoso e "não ameaçador" desde seu retorno ao poder, em 2025.
Também criticou diretamente a Coreia do Sul. "Recentemente, perguntei ao presidente da Coreia do Sul se eles gostariam de se juntar a nós na desnuclearização da República Islâmica do Irã, e eles disseram: 'Não, obrigado!'", afirmou em sua publicação.
No sábado, Trump publicou na Truth Social uma foto ao lado de Kim Jong Un durante um encontro ocorrido em 2019, durante seu primeiro mandato, e afirmou que, considerando sua boa relação com o líder norte-coreano, não está satisfeito com o fato de os Estados Unidos terem concordado em participar de exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul.
Ele acrescentou que já era muito tarde para cancelar os exercícios e, por isso, ordenou ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, que os "reduzisse substancialmente".
O coronel Ryan Donald, porta-voz do Comando das Forças Combinadas Americanas e Sul-Coreanas, comentou que as manobras simularão combates contra soldados norte-coreanos, fortalecidos por sua participação na guerra da Rússia contra a Ucrânia.
"A China e a Rússia observam com que facilidade o presidente abandona os aliados dos Estados Unidos e vão lembrar disso na próxima vez que nos puserem à prova", reagiu, nesta segunda, o senador americano Jack Reed, principal membro democrata na comissão das forças armadas, fazendo alusão ao que denominou de uma decisão "estúpida e incoerente".
- Prejuízo à coordenação -
O gabinete presidencial sul-coreano afirmou, em um comunicado, que espera que a boa relação de Trump com o líder norte-coreano permita que os países retomem o diálogo.
"O governo acompanha de perto a mensagem publicada hoje pelo presidente Trump nas redes sociais e espera que a relação amistosa entre os líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte resulte em um diálogo significativo", afirmou.
Na quinta-feira, Pyongyang tinha denunciado os exercícios militares conjuntos entre Washington e Seul e advertido para uma possível resposta com medidas de "dissuasão" mais contundentes.
A Coreia do Norte considera os exercícios um ensaio para uma invasão. Em protesto, o país lançou na quarta-feira um míssil balístico sobre o Mar do Japão.
No primeiro mandato, Trump disse, após sua reunião inicial com Kim Jong Un, em 2018 em Singapura, que Washington suspenderia os exercícios militares "provocativos".
O governo dos Estados Unidos mantém quase 28.500 militares na Coreia do Sul para reforçar a defesa do país diante das ameaças militares de Pyongyang.
As duas Coreias encerraram a Guerra da Coreia (1950-1953) com um armistício, e não com um tratado de paz.
As repetidas críticas de Trump a aliados históricos, no entanto, provocaram dúvidas sobre os compromissos dos Estados Unidos com a segurança no leste da Ásia.
Questionado se Pequim apoia um novo diálogo entre Estados Unidos e Coreia do Norte, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que "tomou nota das informações relevantes".
"Manter a paz e a estabilidade na península da Coreia e promover a solução política da questão peninsular é de interesse comum para todas as partes", declarou o porta-voz do ministério, Lin Jian.
Em Taiwan, que depende em grande medida de um acordo de segurança de longa data com os Estados Unidos, o presidente Lai Ching-te afirmou que seu governo deve propor um gasto recorde em defesa equivalente a mais de 35 bilhões de dólares (182 bilhões de reais) para 2027.
A China afirma que Taiwan faz parte de seu território e já ameaçou utilizar a força para anexar a ilha autônoma.
N.Mitchell--AT