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Líder do único partido antiguerra da Rússia é condenado a 11 anos de prisão
Um tribunal russo condenou, nesta segunda-feira (17) o político de oposição Lev Shlosberg, vice-presidente do partido antiguerra Yabloko, a 11 anos de prisão por suas críticas à ofensiva da Rússia na Ucrânia.
Na semana passada, Yabloko, o único partido antibelicista em atividade na Rússia, foi excluído das eleições legislativas de setembro. A agremiação tentou reverter a decisão apresentando um recurso, que foi rejeitado pela Suprema Corte nesta segunda-feira.
Uma multidão se reuniu na capital para apoiar o partido, em um ato que resultou na prisão de 60 pessoas, segundo um dirigente do Yabloko.
O tribunal de Pskov, no noroeste do país, declarou Shlosberg culpado de "ações públicas destinadas a desacreditar o uso das Forças Armadas da Federação da Rússia" e o condenou a "11 anos e 1 mês de prisão".
O político de 63 anos é um dos poucos adversários do Kremlin que permaneceram na Rússia depois que o governo lançou uma dura campanha de repressão à dissidência depois do ataque à Ucrânia em 2022.
Quando o juiz lhe perguntou se ele entendia o veredicto, Shlosberg respondeu: "Sinto muito pelo senhor, meritíssimo, terá que viver com isso".
Dois dirigentes do Yabloko, Nikolay Rybakov e Grigory Yavlinsky, classificaram a decisão como "a tragédia da desintegração da justiça russa contemporânea" e afirmaram que o partido buscará encerrar o processo contra o opositor por todos os meios legais.
A organização de direitos humanos Anistia Internacional afirmou que a "perseguição arbitrária e a condenação de Shlosberg são represálias flagrantes por ele exercer seu direito à liberdade de expressão para pedir a paz".
O vice-presidente do partido pediu reiteradamente um cessar-fogo na Ucrânia e foi acusado por sua participação em um debate online sobre a guerra, bem como por compartilhar artigos críticos sobre o tema.
O opositor ao Kremlin denuncia as ações da Rússia na Ucrânia desde 2014, quando o país anexou a península da Crimeia e apoiou os rebeldes pró-Russos no leste ucraniano.
Moscou criminalizou as críticas à sua ofensiva com leis que punem o "descrédito" ao Exército e a divulgação de "informações falsas" sobre ele com penas de até 15 anos de prisão.
A.O.Scott--AT