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Irã afirma que Ormuz seguirá bloqueado até que EUA aceite 'todas' as suas condições
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste domingo (9) que manterá o bloqueio ao Estreito de Ormuz, uma via fundamental para a economia mundial, até que os Estados Unidos aceitem todas as exigências iranianas, entre elas o pagamento de compensações pelos danos causados durante a guerra.
Esta rota estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos continua bloqueada pelo Irã, que ataca regularmente os navios que atravessam o estreito sem sua autorização.
Os contínuos ataques nesta via provocaram o fracasso de uma trégua alcançada em abril. Os mediadores instam ambas as partes a retomar os termos de um memorando assinado em junho, que estabelecia um roteiro para iniciar negociações de paz.
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que as conversas com Omã sobre o trânsito e a gestão do Estreito de Ormuz "estão se aproximando de sua fase final".
No entanto, advertiu que a reabertura desta via marítima estratégica continua condicionada ao cumprimento de outras exigências e ao pagamento de compensações.
Também negou, neste domingo, que o Irã esteja negociando diretamente com os Estados Unidos e assegurou que ambas as partes se limitam a "trocar mensagens" através de intermediários.
O chefe do Conselho de Segurança do Irã, Mohammad Bagher Zolqadr, apresentou no sábado uma série de condições para reabrir o estreito, entre elas o fim do que qualificou como "a guerra e agressão contra o Irã e seus aliados no Líbano, na Palestina, no Iêmen e no Iraque".
Exigiu, ainda, a suspensão das sanções americanas, a liberação de seus ativos congelados e "a indenização integral" pelos danos causados pela guerra deflagrada em 28 de fevereiro com a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou neste domingo que sua estratégia consiste em manter o estreito fechado "até que o inimigo aceite todas as nossas condições".
"O estreito é agora para nós um verdadeiro cenário de guerra e não simplesmente uma via marítima", ressaltou.
- Ataques contínuos -
O tráfego por Ormuz caiu significativamente diante dos ataques iranianos contra navios.
O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos condenou no sábado o que qualificou como um "ataque hostil iraniano com míssil" contra um petroleiro pertencente à Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (Adnoc) quando transitava pelo Estreito de Ormuz.
Posteriormente, a agência marítima britânica UKMTO informou que uma embarcação foi atingida por um projétil em frente à costa de Omã, no estreito, provocando um incêndio que foi apagado sem deixar vítimas. Não ficou claro se se trata do mesmo navio.
O Ministério das Relações Exteriores de Omã condenou no sábado os "ataques repetidos contra embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz", embora sem apontar diretamente para o Irã.
Também informou que as negociações em curso sobre as condições de navegação pela via avançam em um clima "positivo e construtivo", e instou a evitar qualquer ação que possa pôr em risco os progressos alcançados.
O acordo entre Irã e Estados Unidos, concebido como base para negociar uma solução permanente, estabelecia que Teerã e Mascate definiriam as futuras regras de navegação no estreito em coordenação com outros países do Golfo e em conformidade com o direito internacional vigente.
A legislação internacional proíbe a cobrança de pedágios neste tipo de via marítima internacional.
Enquanto isso, os rebeldes houthis do Iêmen, aliados do Irã, anunciaram neste domingo que atacaram uma instalação petrolífera saudita na costa do Mar Vermelho.
A ação faz parte das tentativas do movimento para afetar uma segunda rota marítima essencial para o comércio internacional.
A.Anderson--AT