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De la Espriella toma posse na Colômbia como aliado de Trump na guerra contra o tráfico
O ultradireitista Abelardo de la Espriella toma posse da Presidência da Colômbia nesta sexta-feira (7), decidido a combater com mão de ferro guerrilheiros e traficantes, em uma guinada que estreita os laços com Washington e enterra as negociações de paz.
O advogado milionário de 48 anos, de cidadania americana e aliado de Donald Trump, tomará posse em Cali (sudoeste), em uma cerimônia incomum perto de territórios sob domínio de grupos armados que alimentam a pior onda de violência em uma década.
De la Espriella substituirá Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda que governou a Colômbia e que não reconhece a eleição de seu sucessor, alegando uma suposta fraude eleitoral que nenhuma autoridade denunciou.
No evento previsto para as 15h00 (17h00 no horário de Brasília), De la Espriella fará o juramento para um mandato de quatro anos com a promessa de inaugurar uma "nova era" na Colômbia.
O showman, que se autodenomina "El Tigre", comprometeu-se a pôr fim aos frustrados planos de paz de Petro com organizações que traficam cocaína no país com a maior produção mundial dessa droga.
De la Espriella tomará posse em uma zona de conflito, ao contrário do costume bicentenário de fazê-lo em Bogotá.
Cali, recentemente afetada por atentados guerrilheiros, está blindada com a mobilização de 11.000 militares e a ativação de um sistema antidrones para proteger os convidados.
Ao evento comparecerão cerca de uma dezena de chefes de Estado, delegados da Casa Branca chefiados pelo procurador-geral dos Estados Unidos e vários chanceleres, incluindo o de Israel.
Petro descartou participar, mas seus aliados convocaram protestos nas principais cidades depois de perder as eleições pela margem mais estreita da história.
- Com os Estados Unidos -
A posse de De la Espriella na Colômbia inclina ainda mais a balança para a direita comprometida com a guerra contra o narcotráfico liderada por Trump na América Latina.
O presidente americano apoiou o advogado, que lhe assegurou que a Colômbia se relacionará com Washington como "nunca antes".
O novo governo marca um ponto de inflexão nas relações entre os dois países, após os constantes choques entre Petro e Trump.
"Vamos recuperar a soberania e proteger os cidadãos da criminalidade e do narcoterrorismo", disse De la Espriella no domingo.
O novo mandatário prometeu intensificar os bombardeios contra acampamentos guerrilheiros com apoio de Israel e dos Estados Unidos, assim como construir mega presídios semelhantes aos de El Salvador.
Sua estratégia evoca a estreita cooperação militar entre Bogotá e Washington do início do século, que fortaleceu a ofensiva contra guerrilhas como as Farc antes do acordo de paz de 2016.
Antes de assumir, o novo presidente anunciou que fechará o gabinete presidencial de paz e o de direitos humanos como parte de seu plano de reduzir o tamanho do Estado em 40%.
Também anunciou no mês passado que romperá relações diplomáticas com Nicarágua e Cuba.
P.A.Mendoza--AT