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Interferências russas se multiplicam antes das eleições presidenciais na França
A oito meses das eleições presidenciais na França, as interferências russas dirigidas contra candidatos se intensificam, embora sigam sendo pouco visíveis, o que levou parte da esquerda a pedir medidas contra plataformas como TikTok e X.
"Se não fizermos nada para nos proteger, a eleição pode ser fraudada", declarou, nesta quinta-feira (6), à emissora RTL, Gabriel Attal, ex-primeiro-ministro do presidente francês, Emmanuel Macron, que se sentiu diretamente visado e acusou "a Rússia de querer roubar" estas eleições dos franceses.
Uma série de operações de desestabilização, atribuídas a redes pró-russas, teve como alvo, em poucos dias, três candidatos declarados ou potenciais às eleições presidenciais.
O candidato de centro-direita Edouard Philippe foi difamado em relação ao seu estado de saúde e o eurodeputado de esquerda Raphaël Glucksmann foi atacado por meio de sua companheira, a jornalista Léa Salamé, acusada de ter subornado veículos de comunicação para favorecer a candidatura do marido. Já Gabriel Attal (centro-direita) foi apresentado como um possível doente de Parkinson.
Embora essas operações tenham passado relativamente despercebidas, segundo uma fonte de segurança, tratam-se das primeiras dirigidas diretamente contra pré-candidatos à Presidência desde o início da campanha.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu lembrou na quarta-feira que o governo apresentou, no fim de julho, um projeto de lei ao Conselho de Ministros.
O texto prevê um endurecimento das penas para quem divulgar informações falsas em contexto eleitoral: elas passarão de um ano de prisão e multa de 15 mil euros (R$ 88 mil) para três anos e 45 mil euros (R$ 264,4 mil). E poderão chegar a seis anos de prisão quando a manipulação das eleições tiver sido realizada "para servir aos interesses de uma potência, de uma empresa ou de uma organização estrangeiras".
O Executivo também apresentou um decreto que prevê a criação de uma "comissão de informação", cuja missão será informar a opinião pública e os candidatos em caso de ingerência.
O primeiro-ministro se reuniu em junho com os partidos políticos e mencionou "perspectivas de graves ameaças para as eleições presidenciais".
Diante da crítica do líder de A França Insubmissa (LFI, esquerda radical), Jean-Luc Mélenchon, que lamentava que seu movimento tivesse enviado propostas ao governo sem receber "nenhuma notícia", Sébastien Lecornu indicou que desejava prosseguir esse "trabalho conjunto" com as forças políticas.
No entanto, uma parte da esquerda considera que o governo não avança o suficiente e deseja que se aja também contra plataformas estrangeiras como o TikTok ou o X.
– Silêncio da extrema direita –
Raphaël Glucksmann pediu às autoridades francesas e europeias que não hesitem em sancionar essas redes.
E lembrou as suspeitas que pairaram sobre o candidato de extrema direita Calin Georgescu durante as presidenciais de 2024 na Romênia.
Depois de surpreender ao se situar na liderança no primeiro turno, ele foi acusado pelas autoridades romenas de ter se beneficiado de uma campanha de apoio ilícita orquestrada por Moscou, especialmente no TikTok.
As eleições foram anuladas e o pró-europeu Nicusor Dan acabou vencendo o pleito alguns meses depois. "Não foram aplicadas sanções contra o TikTok", lamentou Raphaël Glucksmann. A líder dos Ecologistas, Marine Tondelier, foi ainda mais longe ao propor suspender, na França, redes como o X durante a campanha "caso sejam detectadas ingerências prévias".
Desde que adquiriu o Twitter - agora X - em 2022, o bilionário sul-africano Elon Musk multiplica as mensagens políticas em sua plataforma. No início de julho, qualificou a candidatura de Marine Le Pen (Reagrupamento Nacional, extrema direita) como "a última esperança para a França".
Diante das operações de desestabilização dos últimos dias, a direita e a extrema direita se mantêm em silêncio. Politicamente, o tema é delicado para o Reagrupamento Nacional devido aos vínculos que o partido manteve no passado com a Rússia, em particular por meio de um empréstimo contratado junto a um banco russo na década de 2010.
No entanto, em 2025, o presidente do partido, Jordan Bardella, endureceu seu discurso, qualificando Moscou como uma "ameaça multidimensional" para a França e fazendo alusão, em particular, às interferências russas.
Para Raphaël Glucksmann, "a campanha de 2027 será marcada por ingerências maciças".
W.Morales--AT