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Lula busca reeleição sob a sombra de Trump
Aos 80 anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia neste domingo (2) a busca por um quarto mandato em outubro, apresentando-se como defensor da "soberania" do Brasil diante dos Estados Unidos de Donald Trump.
De volta ao poder em 2023, Lula será oficializado candidato durante uma convenção do Partido dos Trabalhadores, em São Paulo.
Candidato à Presidência pela sétima vez em sua vida, o ex-operário e líder sindical enfrentará Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O senador de 45 anos é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado após perder as eleições para Lula em 2022.
A campanha começa sob a influência de Trump, aliado da família Bolsonaro e que apoiou diversos candidatos vitoriosos na América Latina.
"A gente aqui no Brasil não aceita que ninguém meta o nariz onde não é chamado", advertiu Lula na semana passada durante um evento no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, na Região Metropolitana de São Paulo.
Os Estados Unidos impuseram em julho duas rodadas de tarifas sobre produtos brasileiros, após acusarem o país de supostas práticas comerciais desleais.
Incentivado por outro filho de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, o governo Trump já havia aplicado, em 2025, tarifas contra o Brasil - posteriormente suspensas em grande parte - como retaliação ao julgamento do ex-presidente.
Diante da nova pressão tarifária, Lula prometeu uma "guerra da verdade contra a mentira" em resposta ao presidente americano.
O presidente afirma que Flávio Bolsonaro é um "traidor da pátria", por supostamente ter incentivado os Estados Unidos a atingir a economia brasileira, algo que o senador nega.
Segundo Lula, Washington tenta influenciar politicamente para impedir sua reeleição.
"A narrativa sobre a soberania cai como uma luva para o Lula, em um momento no qual ele estava com uma decadência na sua popularidade e consegue identificar um inimigo lá fora para responsabilizá-lo por algumas das mazelas que a gente vive", afirmou à AFP Leonardo Paz, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O clima nas relações bilaterais continua se deteriorando: na semana passada, diante do risco de "instrumentalização política" antes das eleições presidenciais, Brasília negou vistos a dois funcionários americanos que pretendiam viajar ao país para tratar de "integridade eleitoral".
- Crime organizado e corrupção -
Lula lidera atualmente as pesquisas. Em um eventual segundo turno, ele aparece com 48% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro, segundo o instituto Datafolha.
Mesmo desgastado por uma série de crises políticas, o candidato da direita mantém força na disputa, em uma campanha polarizada que lembra a eleição de 2022, quando Lula derrotou Jair Bolsonaro por margem muito estreita.
O presidente pode argumentar um crescimento econômico sólido e níveis recordes de emprego, embora o custo de vida preocupe os brasileiros e o déficit fiscal esteja aumentando.
Lula também enfrenta dificuldades no debate sobre segurança pública, uma das principais preocupações do eleitorado em um país onde o crime organizado controla comunidades habitadas por milhões de pessoas.
A corrupção, outro tema prioritário para a opinião pública, envolve duas investigações judiciais que representam constrangimentos para cada um dos candidatos.
A primeira investiga a suspeita de que Flávio Bolsonaro pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por participação em um esquema bilionário de fraude envolvendo o Banco Master, para financiar um filme sobre seu pai.
A segunda, aberta nesta semana, envolve um dos filhos de Lula, Luiz Cláudio Lula da Silva, conhecido como "Lulinha", suspeito de corrupção e tráfico de influência em supostas articulações junto ao Ministério da Saúde.
P.Smith--AT