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Trump adverte que vai atingir Irã "com força" após ataques contra bases dos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta quarta-feira (29) atingir o Irã "com força" após um ataque com mísseis contra bases americanas na Jordânia, reacendendo um conflito que se estende pelo Oriente Médio e envolve países aliados de Washington e milícias alinhadas a Teerã.
Essa advertência abalou as esperanças de que um cessar das hostilidades, mantido desde o sábado, pudesse permitir a retomada das negociações.
A Arábia Saudita e os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira bombardeios contra grupos armados no Iraque, depois que, durante dois dias, as autoridades sauditas relataram ataques de drones contra suas instalações petrolíferas.
As novas hostilidades fizeram os preços do petróleo dispararem, com alta superior a 5% ao longo do dia, diante dos temores de que os combates afetem o abastecimento mundial da commodity. Posteriormente, a alta diminuiu para cerca de 4,6%.
Por sua vez, o Irã lançou mísseis contra bases militares americanas na Jordânia.
"Enquanto continuarem as ameaças contra a República Islâmica do Irã (...) a resistência continuará", afirmou a Guarda Revolucionária em um comunicado.
Em resposta, o presidente Donald Trump disse que irá atingir "com força" a república islâmica, pouco depois de a imprensa iraniana informar sobre bombardeios americanos contra uma cidade no noroeste do país.
"Nós vamos bater neles com força. Eles vão levar uma surra", disse o presidente, segundo um correspondente da emissora Fox News que conversou com o mandatário.
– "Guerra por procuração" –
O Exército dos Estados Unidos informou que o ataque no Iraque teve como alvo instalações logísticas e depósitos de armamentos de um grupo alinhado ao Irã. Segundo Trump, a ofensiva foi coordenada com o Iraque.
No entanto, a Presidência do Iraque denunciou os bombardeios como "um ataque inaceitável e uma flagrante violação da soberania".
Segundo a aliança de milícias iraquianas Hashed al Shaabi, 20 de seus integrantes morreram na ação, e o grupo denunciou uma "escalada perigosa" contra uma "instituição oficial de segurança". Entre os mortos estão cinco conselheiros iranianos, informaram dois altos comandantes da organização.
Essa aliança, também conhecida como Frente de Mobilização Popular (FMP), foi criada em 2014 para combater os jihadistas antes de ser formalmente integrada às Forças Armadas iraquianas.
Ela reúne brigadas de grupos pró-Irã conhecidos por atuarem de forma unilateral.
Bagdá tem Washington e Teerã como seus principais aliados, mas a rivalidade entre ambos transformou o Iraque, há muito tempo, em um campo de batalha de uma guerra por procuração entre Estados Unidos e Irã.
Hesham Alghannam, analista e pesquisador de segurança saudita, declarou à AFP que o Irã está "utilizando agora sua rede de grupos aliados para manter sua influência enquanto a via diplomática concentra a atenção internacional".
"A guerra por procuração é a continuação da guerra direta por outros meios, e está sendo conduzida com uma coerência estratégica considerável", afirmou.
– Outra frente no Mar Vermelho –
Os Estados Unidos haviam afirmado que a interrupção dos combates ocorreu para facilitar uma nova rodada de negociações com o Irã.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quarta-feira que havia atacado e apreendido três navios petroleiros no Estreito de Ormuz e que mantinha "controle total" dessa rota marítima, por onde passava 20% do abastecimento mundial de petróleo antes da guerra.
As tensões nessa via aumentaram a importância do Mar Vermelho como rota comercial alternativa para a Arábia Saudita, principal exportadora mundial de petróleo.
No entanto, na semana passada, os rebeldes houthis, grupo apoiado pelo Irã que controla amplas áreas do Iêmen, anunciaram um bloqueio naval aos portos da Arábia Saudita.
O ministro da Informação do governo do Iêmen reconhecido internacionalmente, Moammar al Eryani, disse à AFP que o plano dos houthis é estabelecer um sistema de cobrança de taxas para os navios que transitam pelo Estreito de Bab al-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho.
A Guarda Revolucionária está "ajudando nesse esforço", afirmou o ministro.
P.Hernandez--AT