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Argentina está em 'posição mais sadia' desde que Milei assumiu, diz diretora do FMI
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, deu um forte apoio ao governo argentino, nesta segunda-feira (27), durante uma visita a Buenos Aires, ao assegurar que o país está "em uma situação mais sadia" desde que Javier Milei assumiu a Presidência, em 2023.
Georgieva destacou um "progresso significativo na estabilidade macroeconômica e financeira desde 2023" na Argentina, o maior devedor do Fundo, durante uma coletiva de imprensa conjunta com o ministro da Economia, Luis Caputo.
A Argentina assinou em 2025 um Acordo de Facilidades Estendidas com o FMI de 20 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 118 bilhões) em quatro anos.
A chefe do FMI saudou a redução da inflação, o superávit fiscal e a melhora na classificação creditícia da Argentina. "Quando temos estabilidade macroeconômica e financeira, o desempenho geral da economia melhora", afirmou.
Georgieva disse que isso se traduz no dinamismo de setores, como petróleo, gás, mineração e agricultura, embora tenha destacado que o país deve criar novos postos de trabalho formais e aumentar o consumo.
- Relação "excelente" -
Caputo destacou que "a relação com o Fundo Monetário é excelente, em todos os níveis". Após a coletiva, Milei recebeu a funcionária na Casa de Governo.
Georgieva pretende viajar na terça-feira para Vaca Muerta, uma enorme jazida de petróleo e gás de xisto, considerada um pilar da autonomia energética e das exportações argentinas, na província de Neuquén, 1.200 km ao sul de Buenos Aires.
"Dialogamos sobre manter a estabilidade, impulsionar reformas e criar as condições para um crescimento mais sólido, o investimento e a criação de emprego", destacou Georgieva no X após a reunião com o ministro da Economia.
- Economia de contrastes -
A visita de Georgieva ocorre em meio a fortes contrastes na economia argentina, que sob a gestão de Milei atravessa um período de máxima austeridade.
Com a inflação controlada, que deixou de ser de três dígitos para ficar em 33,5% em 12 meses em junho, o ajuste implicou amplos cortes nos gastos públicos. Além disso, o crescimento ainda é fraco (+0,2% em 12 meses), e o consumo interno é ainda mais debilitado.
No entanto, o FMI prevê para a Argentina um crescimento de 3,5% em 2026 e de 4% em 2027.
Ao mesmo tempo, segundo um relatório recente do Banco Central, a inadimplência das famílias argentinas com os bancos triplicou em um ano, chegando a 12,8%, seu nível mais alto em 20 anos.
Neste contexto, dezenas de manifestantes protestaram, nesta segunda-feira, em frente ao Ministério da Economia para dar as "más-vindas" a Georgieva.
"Fora ingleses das Malvinas, fora FMI da Argentina", dizia um dos cartazes exibidos no protesto.
- Banco Central na mira -
Em maio, o FMI deu luz verde ao desembolso de uma parcela de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) no âmbito do acordo com Buenos Aires e suas revisões periódicas.
No começo de julho, o FMI comemorou a intenção do governo de reformar o Banco Central.
Na véspera da visita de Georgieva, Milei detalhou seu projeto de reforma da instituição emissora, à qual critica com frequência.
As mudanças propostas à carta orgânica do Banco Central, que em breve passarão ao debate parlamentar, estabelecerão que sua missão fundamental "volta a ser a de preservar o valor da moeda", escreveu o presidente argentino em uma coluna no jornal Clarín.
O governo também promove que o Banco Central não possa financiar o Estado e uma blindagem de suas autoridades para que dificulte as remoções.
- "Continuem comprando" -
Para o ano que vem, as obrigações da dívida argentina chegam a 24,9 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 127 bilhões, na cotação atual).
Este mês, o ministro da Economia assegurou que conta com os fundos para cumprir os vencimentos, inclusive no "pior cenário", ao admitir que as eleições gerais de 2027 podem adicionar incerteza e maior volatilidade aos mercados.
Georgieva descartou que a Argentina tenha dificuldades para cumprir os compromissos assumidos com o organismo e considerou que "não há necessidade de apoio financeiro adicional" para o país sul-americano.
Neste sentido, elogiou a política de reservas do Banco Central. Atualmente, os volumes estão em torno de 49 bilhões de dólares (cerca de R$ 250 bilhões). "Sigam comprando" moeda americana, disse a diretora do FMI.
Após a visita à Argentina, Georgieva viajará para o vizinho Uruguai, onde tem previsto se reunir com o presidente Yamandú Orsi na quinta-feira, segundo o governo uruguaio.
O.Gutierrez--AT