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Em nome do pai, Flávio Bolsonaro oficializa candidatura à Presidência
Assolado por uma série de crises políticas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi nomeado oficialmente, neste sábado (25), candidato do Partido Liberal às eleições presidenciais de outubro durante convenção partidária em São Paulo, na qual ele se assumiu como herdeiro político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar.
Com a presença do presidente ultraliberal argentino Javier Milei como principal convidado, e diante de cerca de mil apoiadores, a convenção do PL escolheu o senador de 45 anos para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, que tentará a reeleição.
A campanha se inicia sob a sombra do novo tarifaço imposto este mês pelos Estados Unidos ao Brasil.
"Posso ser mais calmo, mais sorridente, mais tranquilo e moderado. Mas aqui tem sangue de Bolsonaro!", proclamou em seu discurso Flávio Bolsonaro, segurando o próprio braço. Segundo ele, o Brasil pode caminhar a passos largos para uma ditadura se Lula for reeleito.
Escolhido como sucessor por seu pai após a prisão, em 2025, do ex-presidente (2019-2022) por tentativa de golpe de Estado, Flávio Bolsonaro se apresenta aos eleitores como a chave da "mudança" para evitar um quarto mandato não consecutivo de Lula.
Figura da direita latino-americana, Milei fez um alerta sobre "o risco Lula" nas eleições de outubro, em um discurso inflamado no qual assegurou que o Brasil deve sair "de sua submissão ao esquerdista".
"A gente gostaria que o nosso candidato fosse Jair Bolsonaro, mas hoje o Flávio é a opção mais acertada para levar adiante o nosso país", disse à AFP Fernando Moeno, um policial militar aposentado de 50 anos, durante a convenção realizada em um galpão anexo ao estádio do Pacaembu.
Flávio Bolsonaro chorou ao falar do pai, que apareceu em um vídeo feito com inteligência artificial. A justiça proibiu que o ex-presidente se manifeste politicamente de sua prisão domiciliar.
Vestindo camisas da Seleção brasileira, que os bolsonaristas adotaram como símbolo, os simpatizantes cantaram várias vezes "Lula, ladrão", em um recinto que se esvaziava parcialmente à medida que o ato avançava.
Apesar de ter conseguido empatar com Lula nas pesquisas de intenção de voto em março, após reduzir a vantagem do adversário em 15 pontos, Flávio perdeu força nas últimas semanas: uma pesquisa publicada na sexta-feira pelo Datafolha atribuiu 43% das intenções de voto para Flávio no segundo turno, contra 48% para seu rival.
- Má fase -
As complicações para Flávio Bolsonaro começaram quando o site Intercept Brasil revelou, em maio, mensagens que ele enviou para Daniel Vorcaro, banqueiro preso por uma megafraude financeira, pedindo a ele dinheiro para custear um filme sobre seu pai.
Outra frente foi aberta dentro de sua própria família em junho, quando sua madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), reclamou nas redes sociais da "humilhação" que ele lhe infligiu: "Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone".
A ex-primeira-dama é fundamental para conectar o bolsonarismo com o eleitorado feminino e evangélico.
Flávio divulgou um vídeo na quinta-feira pedindo desculpas a ela, que ela aceitou.
Michelle não esteve presente no ato, mas apareceu em um vídeo de apoio ao enteado, assim como o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
- Olhando para o norte -
Em outro tropeço, na última terça-feira Flávio questionou a confiabilidade do sistema de votação eletrônica, utilizando argumentos semelhantes aos que levaram à inelegibilidade do pai.
Do lado do governo, Lula fez das tensões com os Estados Unidos um tema central de sua campanha, acusando seu rival de ser um "traidor" que apoia as medidas comerciais da gestão Trump contra o Brasil.
Os Estados Unidos impuseram duas rodadas de tarifas aduaneiras sobre produtos brasileiros este mês, após um primeiro tarifaço imposto em 2025 em retaliação ao julgamento de Jair Bolsonaro, aliado de Trump.
Essa primeira sanção, promovida em Washington por Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, foi parcialmente revertida após negociações entre Lula e seu homólogo americano.
Em resposta às novas tarifas, Flávio Bolsonaro pediu, sem sucesso, que o governo Trump adiasse a medida até depois das eleições para não dar a Lula uma "vitória política".
O.Brown--AT