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Em tempos de guerra, execuções no Irã se intensificam
A família de Vahid Baniamerian soube pela imprensa que este professor de física ia ser enforcado como dezenas de presos políticos que, segundo as ONGs, têm sido vítimas da repressão no Irã desde o início da guerra no Oriente Médio.
"Eles foram apresentados a um fato consumado. Nem mesmo o advogado sabia disso", disse à AFP um de seus parentes do exterior, sob condição de anonimato.
Era uma "pessoa humilde e doce, que sempre quis ajudar", afirmou.
Vahid Baniamerian foi condenado em recurso no final de dezembro de 2025 e a sua família aguardava uma decisão do Supremo Tribunal quando ocorreu a execução.
"Foi totalmente ilegal, mesmo de acordo com as suas próprias leis repressivas", sublinhou a fonte.
O homem, de 34 anos, foi condenado à morte juntamente com outros cinco acusados por pertencer ao grupo de oposição Mujahideen do Povo (MEK), proibido no Irã. Todos eles foram enforcados.
Apesar de um cessar-fogo acordado em abril, continuam as execuções de manifestantes, membros de grupos proibidos e suspeitos de espionagem.
Ativistas acreditam que, dessa forma, as autoridades tentam impedir outro movimento de protesto em massa como o ocorrido em janeiro.
- "Máquina de matar" -
A retomada das hostilidades causa ainda maior preocupação entre os grupos de direitos humanos. "E se o Irã intensificar a repressão para silenciar a população?", questionam.
"Tememos muito que as autoridades se aproveitem da situação para aumentar as execuções de presos políticos", afirma Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da ONG Iran Human Rights (IHR).
Essa organização, sediada na Noruega, pede que a questão da "máquina de matar" iraniana seja incluída nas negociações para o fim da guerra.
"A comunidade internacional, em especial a União Europeia, deve priorizar a implementação imediata de uma moratória sobre as execuções", enfatiza Amiry-Moghaddam.
Desde o início da guerra, desencadeada pelos ataques israelenses e americanos contra o Irã em 28 de fevereiro, 24 pessoas ligadas aos protestos de janeiro foram enforcadas.
As autoridades iranianas as acusam de realizar ataques contra as forças de segurança e prédios públicos. As ONGs, por sua vez, denunciam julgamentos arbitrários e a prática de tortura.
Teerã executou mais 13 pessoas por supostos vínculos com organizações proibidas, como o MEK, e outras dez acusadas de espionagem.
Esses casos são apenas a ponta do iceberg: cerca de 400 pessoas foram executadas somente este ano, segundo dados do IHR. A maioria foi acusada de assassinato ou tráfico de drogas.
Com 2.150 execuções no ano passado, o Irã voltou a ocupar o segundo lugar no mundo em número de execuções, atrás apenas da China, de acordo com a Anistia Internacional.
- Com a "cabeça erguida" -
Desde 13 de julho, os detentos da prisão de Ghezel Hesar, localizada em Karaj, perto de Teerã, protestam contra o alto número de execuções na unidade.
Vídeos compartilhados nas redes sociais por ONGs mostram os presos sentados em suas celas, gritando "Não à pena de morte".
"São prisioneiros que cometeram erros para satisfazer suas necessidades básicas e se arrependem profundamente de seus atos. Onde mais no mundo uma vida é sacrificada por um primeiro erro?", enfatizaram os presos em um comunicado visto pela AFP. Muitos foram condenados por roubo e crimes relacionados a drogas.
Vahid Baniamerian foi executado em Ghezel Hesar, segundo a IHR. Ele passou seus últimos dias apoiando seus companheiros de prisão.
"Mesmo nos momentos mais difíceis, ele escolheu encorajar os outros em vez de ceder ao medo", disse um de seus amigos à AFP.
"No dia em que o colocaram na solitária, Vahid disse a eles: 'Não chorem diante do inimigo. Temos orgulho do que fazemos'", contou o amigo. "Eles mantiveram a cabeça erguida."
W.Stewart--AT