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EUA adverte que 'não terminou' campanha contra Irã, após aumento dos ataques
Os Estados Unidos "não terminaram" sua campanha contra o Irã, advertiu nesta terça-feira (21) o presidente Donald Trump, duas semanas após a retomada das hostilidades no Oriente Médio, que ameaçam se estender ao Mar Vermelho.
A pressão sobre a economia global cresce, com o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã. Após o aumento dos ataques iranianos no Golfo, Trump advertiu hoje que os Estados Unidos "não terminaram em absoluto" sua campanha contra a república islâmica, após a décima noite consecutiva de bombardeios.
O presidente americano afirmou que o Irã precisará de mais de 20 anos para se recuperar dos danos causados. "Se saíssemos agora, o Irã levaria 20, 25 anos para se reconstruir."
Trump informou que seu próximo alvo será um complexo nuclear subterrâneo conhecido como Montanha Pickaxe, próximo a Natanz, onde os serviços de inteligência ocidentais suspeitam de que o Irã esteja construindo uma instalação de enriquecimento de urânio não declarada.
As advertências surgem no momento em que Jordânia, Kuwait e Bahrein denunciam ataques iranianos na região, e após rebeldes houthis, que controlam amplas regiões do Iêmen, anunciarem um "bloqueio marítimo" contra a Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos.
Não está claro como os rebeldes do Iêmen poderão implementar esse bloqueio contra um dos maiores produtores mundiais de petróleo, que usa seus portos no Mar Vermelho para contornar o bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz. Após o anúncio, os preços do petróleo atingiram ontem seu nível mais alto em um mês, acima dos 90 dólares.
Trump também ameaçou os houthis nesta terça-feira e afirmou que, se eles levarem adiante o bloqueio, os Estados Unidos cuidarão deles. "Eles já sabem disso. Nós já fizemos isso antes com os houthis, e faz muito tempo que não ouvimos mais nada deles desde que adotamos as medidas que tomamos naquela ocasião", afirmou.
A Arábia Saudita e os houthis trocaram disparos na semana passada pela primeira vez em anos, colocando em risco a trégua de 2022, mas os rebeldes vêm se mantendo à margem desde que Israel e os Estados Unidos atacaram o Irã em fevereiro.
A consultoria Vanguard Tech identificou hoje dois navios que deram meia-volta no Mar Vermelho depois de serem carregados em um porto saudita, após advertências dos rebeldes iemenitas.
- 'Pressão psicológica' -
Na outra extremidade da Península Arábica, os bombardeios que recomeçaram no último dia 7 atingiram níveis sem precedentes desde o primeiro cessar-fogo acordado em abril e reforçado em meados de junho por um protocolo que deveria levar ao fim da guerra.
O número de militares americanos mortos chega a 17, e quase 100 ficaram feridos, informou o Pentágono ontem. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse hoje a senadores americanos que a guerra já custou US$ 37,5 bilhões (R$ 191 bilhões), frente a uma estimativa de quase US$ 29 bilhões em maio.
O funcionário kuwaitiano Naser al-Dhafiride disse que os ataques e o medo de apagões nesse país, muito quente, geram "uma imensa pressão psicológica" sobre a população. "O que o Kuwait vive hoje é algo que não experimentamos nem mesmo durante a invasão do Iraque [em 1991], em termos de pressão psicológica e de não saber para onde as coisas estão caminhando", afirmou.
- Pedido de moderação -
Não há sinais de um avanço diplomático concreto, apesar da visita ao Paquistão, mediador do conflito, do ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni. Durante o encontro, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, "pediu a todas as partes para agir com moderação e se abster de tomar medidas que possam desestabilizar ainda mais a região".
Os ataques americanos deixaram 50 mortos e mais de 500 feridos no lado iraniano desde a retomada dos combates, segundo o último balanço oficial, divulgado sexta-feira.
burx-cgc/anb/dbh/an/jc/aa/hgs/lm/aa/am-lb
A.Clark--AT