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Trump modera o tom e joga cartada da unidade com aliados da Otan
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu um inesperado e caloroso abraço nos aliados da Otan, nesta quarta-feira (8), no encerramento de uma cúpula-chave, depois de ter atacado os parceiros europeus, criticando-os pela falta de ajuda na guerra contra o Irã.
Foi uma guinada abrupta em questão de poucas horas, que ilustrou a ampla gama de emoções exibidas pelo volúvel líder americano.
"Foi uma grande reunião, havia muito amor nesta sala, muita unidade", disse Trump a jornalistas, após a reunião a portas fechadas de 32 chefes de Estado na cúpula da Otan em Ancara, a capital turca.
Trump lhes assegurou que queria que os Estados Unidos permanecessem na aliança militar: "Queremos seguir com vocês", contou à AFP uma fonte presente na sessão.
E isso refletiu na declaração final, na qual os líderes da Otan reafirmaram seu compromisso firme com a cláusula de assistência mútua, consagrada no Artigo 5 do tratado da aliança.
"Um ataque contra um é um ataque contra todos", destacou, com uma formulação que busca acalmar as preocupações sobre o compromisso de Washington com a Otan.
Mas Trump tinha começado o dia distribuindo ataques contra a soberania dinamarquesa da Groenlândia, os gastos militares espanhóis e a falta de ajuda de seus parceiros na guerra contra o Irã.
"Não estou contente com a Otan pelo que fizeram com a Groenlândia, e não estou contente com a Otan porque não quiseram nos ajudar com o principal Estado patrocinador do terrorismo, que é o Irã. Não estiveram dispostos a nos ajudar", assegurou.
- Late, mas não morde -
No entanto, depois que Trump se reuniu frente à frente com os dirigentes a portas fechadas, seu tom mudou nitidamente, segundo a fonte que assistiu aos diálogos.
"Há um forte contraste entre o que Trump diz em público e o que realmente diz no privado", declarou à AFP.
Ele também baixou o tom de sua retórica sobre o Irã, não voltou a mencionar nem a Groenlândia, nem a Espanha.
Trump tinha qualificado a Espanha como uma "causa perdida", com a qual, segundo ele, os Estados Unidos "vão cessar todo o intercâmbio comercial", ao voltar a acusar Madri de não contribuir com os gastos de defesa da Otan.
Mas o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, exaltou em seguida as relações "muito positivas" entre os dois países, em declarações em Ancara, onde afirmou que teve uma conversa "coloquial" com Trump.
"Conversamos sobre futebol, sobre a Copa do Mundo nos Estados Unidos e, portanto, foi uma conversa informal, coloquial, na qual não houve, em absoluto, nenhum tipo de tensão", contou Sánchez a jornalistas a respeito desta breve conversa, na qual também falaram sobre golfe.
- Impulso para a Ucrânia -
Os esforços para deter a guerra na Ucrânia também voltaram a estar sobre a mesa, com Trump se comprometendo a dar a Kiev "o direito a fabricar" mísseis de defesa antiaérea Patriot durante uma reunião com seu par ucraniano, Volodimir Zelensky, à margem da cúpula.
A Ucrânia tem tido dificuldades para derrubar mísseis balísticos russos, enquanto se esgotam os estoques de interceptadores Patriot de fabricação americana, cruciais para sua defesa.
Apesar dos intensos bombardeios de Moscou nos últimos dias, Kiev parece estar mudando o rumo, ao estabilizar a linha de frente e atacar no interior da Rússia, operações que, segundo Trump, poderiam ajudar a pôr fim à guerra.
Ele reiterou sua convicção de que tanto Zelensky quanto o líder russo, Vladimir Putin, querem interromper os combates.
Além disso, na declaração final da Otan, Europa e Canadá se comprometeram a manter o fluxo de apoio militar para a Ucrânia por um montante de 80 bilhões de dólares (R$ 412 bilhões, na cotação atual) ao ano tanto em 2026 quanto em 2027.
Antes de deixar Ancara, Trump tinha previsto dialogar com o presidente sírio, Ahmed Al Sharaa.
- Uma aliança ainda forte -
Desejosos de evitar um novo confronto com Trump, os aliados da Otan anunciaram, na terça-feira, dezenas de bilhões em novos contratos de armamentos em uma tentativa de demonstrar que estão cumprindo a promessa de aumentar o gasto militar.
O chefe da Otan, Mark Rutte, insistiu que a aliança sai fortalecida da cúpula na Turquia, apesar dos desacordos.
"Sempre senti que as famílias nas quais às vezes se fala de coração para coração e às vezes se briga um pouco são muito mais fortes", afirmou.
F.Ramirez--AT